Empresários portugueses, principalmente da área alimentar e tecnológica, estão até sexta-feira na Coreia do Sul para procurar oportunidades de negócio, num mercado que alguns consideram difícil, mas promissor.

Catorze empresas integram a delegação empresarial que acompanha a visita oficial do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, à Coreia do Sul, que começou na quarta-feira e se prolonga até sexta.

Os vinhos do Esporão já estiveram presentes no mercado sul-coreano, durante alguns anos, mas com a crise de 2008, houve uma quebra na economia coreana e a parceria que existia com «uma empresa [local] credível foi descontinuada», disse à Lusa o diretor comercial, Diogo Melo e Castro.

Nesta viagem, a companhia pretende «restabelecer alguns contactos», num mercado em que o consumo de vinho ainda é muito residual, apesar de registar «um crescimento interessante», afirmou.

Os sul-coreanos consomem, em média, menos de um litro de vinho por habitante num ano, um valor muito baixo quando comparado com a realidade portuguesa (45 litros por pessoa).

No entanto, «os mercados emergentes criaram uma classe média com pujança e poder de compra que procura adotar comportamentos ocidentais, como o consumo de vinhos, que tem um aspeto aspiracional social», referiu Melo e Castro.

Na Coreia do Sul, os vinhos mais consumidos são oriundos do Chile, França e Itália, com Portugal a surgir em 15.º lugar como fornecedor de vinhos, no valor de quatro mil caixas - principalmente vinho do Porto e Mateus Rosé, o mais vendido a nível mundial.

Também a José Maria da Fonseca participa nesta delegação com o objetivo de «tomar o pulso» a este mercado, explicou o presidente do conselho de administração, António Soares Franco.

«Negócios destes, sobretudo em áreas do mundo onde não há cultura do vinho, não são fáceis», afirmou, acrescentando que a empresa procura «apostar num país com uma economia muito importante, que tem tido um crescimento brutal».

«Vimos cá semear, pelo menos tomar o pulso à situação e abrir portas para, se for preciso, virmos sozinhos depois» para estabelecer negócios, afirmou o responsável.

Soares Franco defendeu a necessidade de Portugal melhorar a sua projeção a nível internacional: «Portugal tem muito que fazer para conseguir ter uma imagem que seja relevante, a nível do país inteiro. É um trabalho ciclópico que todos temos de fazer para que as empresas e os produtos portugueses sejam olhados, nestes países, de uma forma diferente», sustentou.

Uma empresa portuguesa de purificadores de ar, a Airfree Products, participa nesta missão empresarial com boas expectativas, tendo já agendadas reuniões que revelam interesse de potenciais parceiros sul-coreanos, disse à Lusa Ana Carneiro, responsável comercial.

Também presente na comitiva está Sérgio Ferreira, diretor da área de negócio empresarial da Samsung, empresa sul-coreana que elegeu Portugal para a instalação da primeira delegação internacional, em 1982, atraída por incentivos ao investimento, pelo posicionamento geoestratégico de Portugal na Europa e «por se tratar de um país muito seguro para as operações».

O responsável acredita que as empresas portuguesas têm boas oportunidades no mercado coreano: «Tendo bons produtos e a agressividade certa no mercado e fazendo contactos, as oportunidades surgem», considerou.

O antigo porta-voz do PS João Ribeiro, a trabalhar na Coreia do Sul desde final de 2013, também encontra boas perspetivas.

«Há oportunidades, no sentimento político e económico, de abertura ao mercado estrangeiro e de reforço das relações comerciais», sublinhou.