É já na próxima quarta-feira que começam as reuniões técnicas entre Atenas e o Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e a Comissão Europeia. A novidade surgiu depois de um Eurogrupo que conseguiu «despachar» o tema da Grécia em três tempos.

Na conferência de imprensa no final do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem confirmou que as reuniões técnicas entre Atenas e «as instituições» começam já na quarta-feira, em Bruxelas. Mas as equipas também vão estar em Atenas.

«Tivemos uma curta discussão sobre a Grécia, focada no processo que já deveria ter começado, depois da decisão de estender o programa. Não há mais tempo a perder», reiterou o presidente do Eurogrupo. Dijsselbloem sublinhou ainda a importância da cooperação entre as instituições e as autoridades gregas, assim como o cumprimento dos compromissos assumidos pelos gregos.

Já à entrada da reunião o presidente Jeroen Dijsselbloem disse que é preciso «parar de perder tempo» e começar rapidamente as negociações sobre as reformas precisas que a Grécia deve executar. 

Questionado pelos jornalistas sobre quando seria expectável que fosse desbloqueado o dinheiro dos credores, o presidente do Eurogrupo retorquiu: «Primeiro temos de ter um acordo em toda a linha e as reformas a avançar. E depois podemos então desbloquear as tranches de ajuda, podemos fazer o pagamento por partes, como aconteceu noutros programas». 

«Relativamente à Grécia foi apenas um ponto de situação, estamos no mesmo ponto em que estávamos», disse Maria Luís Albuquerque.

Poucas palavras, ou nenhumas se ouviram, à chegada à reunião. Nota para a insistência na palavra «troika», na voz do ministro das Finanças alemão. Varoufakis entrou mudo, quando circulavam notícias de que o governante seria substituído pelo vice-primeiro ministro grego nas negociações com os credores. A informação foi avançada pelo ministro irlandês das Finanças, Michael Noonan, mas depressa foram desmentidas.

O tempo está a esgotar-se para a Grécia, que precisa urgentemente de financiamento. Só este mês Atenas tem de reembolsar 1,5 mil milhões de euros ao FMI, numa altura em que os credores mantêm congeladas as tranches de ajuda, até que as reformas avancem.

Um sinal de que Atenas estará mais aberta à negociação veio de fonte oficial, que adiantou que existem três novas propostas que serão incluídas na lista de reformas gregas: para além dos contribuintes poderem corrigir declarações de rendimentos de anos anteriores sem quaisquer sanções, o governo quer combater também a evasão fiscal das empresas, através do cruzamento de dados com os outros Estados-membros. Finalmente, e à semelhança do que aconteceu em Portugal e noutros tantos países europeus, implementar um sistema que incentive os contribuintes a pedir fatura, com a realização de sorteios.

Segundo fontes oficiais gregas, o Eurogrupo teve um resultado positivo para Artenas, com os ministros das Finanças da zona euro a expressarem o seu desejo de encontrar uma solução para o problema de financiamento grego.

A Bolsa de Atenas voltou às quedas acentuadas, ao fechar a sessão a cair mais de 4%, com o setor da banca a pressionar.