O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, declarou esta sexta-feira ter apresentado deliberadamente um programa de reformas vago para assegurar o aval dos parlamentos da zona euro ao prolongamento da ajuda a Atenas.

Leia aqui a carta de Varoufakis com o plano em português

O Governo grego entregou no início da semana o muito esperado plano de reformas que tenciona aplicar, condição imposta pelos parceiros europeus e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para prolongar quatro meses o programa de ajuda ao país e para receber um pagamento de 7,2 mil milhões de euros.

O plano não contém prazos nem compromissos em números, mas é deliberado, explicou Varoufakis à cadeia de televisão grega Antenna TV, recordando uma «imprecisão produtiva». «Nós estamos confiantes com o nível de imprecisão», disse o ministro.

Varoufakis explicou que teve encontros com determinados homólogos da zona euro que o aconselharam a não incluir números no documento, porque «senão não seriam aprovados pelos respetivos parlamentos».

O ministro grego também reconheceu que, atualmente, «os cofres (do Estado) estão vazios», numa altura em que o país deve reembolsar os empréstimos, designadamente ao FMI em março.

Yanis Varoufakis exprimia-se quando os deputados da câmara baixa do Parlamento alemão, Bundestag, se preparavam para aprovar a extensão do programa. O Bundestag deu «luz verde» por uma esmagadora maioria, mesmo depois do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, ter explicado que a decisão não tinha sido «fácil».

No plano apresentado à zona euro, o Governo de esquerda de Alexis Tsipras compromete-se a lutar contra a fraude e a corrupção, reduzir as despesas do Estado, não travar as privatizações em curso e cooperar com as instituições internacionais.

Todos estes compromissos devem ser transpostos para projetos legislativos e medidas concretas nas próximas semanas.