O ministro das Finanças alemão mostrou-se «muito cético» sobre a possibilidade de chegar a acordo com a Grécia na reunião do Eurogrupo e lamentou que os gregos tenham eleito um governo que se comporta de maneira irresponsável».

«Sinto muito pelos gregos. Elegeram um governo que de momento se comporta de maneira bastante irresponsável», disse Wolfgang Schäuble em declarações a uma rádio alemã.

Segundo Schäuble, a Grécia estava no bom caminho para resolver a crise até que chegou o novo governo presidido por Alexis Tsipras.

O ministro alemão insistiu que, para receber ajuda dos outros países da zona euro, a Grécia tem que mostrar como no futuro vai assegurar os meios suficientes para financiar as suas próprias pretensões.

De momento, segundo Schäuble, não há nada que indique que o Governo de Tsipras vai apresentar uma proposta.

Os ministros das Finanças da zona euro reúnem-se hoje em Bruxelas, num encontro decisivo para a Grécia e os parceiros europeus tentarem chegar a um acordo sobre o programa de assistência a Atenas, que expira no final do mês. A Bolsa de Atenas está a cair quase 4%, com o setor da banca a acumular fortes perdas.

Este encontro do Eurogrupo, o segundo no espaço de seis dias - depois da reunião extraordinária da passada quarta-feira que serviu para o novo ministro grego, Yanis Varoufakis, apresentar as ideias do recém-formado Governo aos seus homólogos da zona euro -, discutirá também a pretensão de Portugal de reembolsar antecipadamente parte do empréstimo contraído junto do Fundo Monetário Internacional (FMI), no quadro do seu programa de assistência.

As atenções estarão, no entanto, centradas no caso grego. A reunião é aguardada com muita expetativa, depois de o anterior encontro do Eurogrupo e de a cimeira de líderes da última quinta-feira terem servido essencialmente para Varoufakis e o novo primeiro-ministro, Alexis Tsipras, apresentarem as posições, rejeitando o programa com a troika ainda em curso.

As autoridades gregas aceitaram no final da passada semana discutir questões técnicas com as instituições que compõem a troika, trabalho que prosseguiu ao longo do fim de semana.

Hoje haverá então finalmente lugar a negociações políticas com vista a alcançar uma solução satisfatória para Atenas e para os restantes 18 Estados-membros do euro, o que não se afigura fácil.

Atenas pretende um acordo de transição para um novo programa, comprometendo-se com reformas distintas das exigidas pela troika, e reclama uma renegociação do pagamento da dívida, mas, do outro lado, vários Estados-membros, com a Alemanha à cabeça, têm-se mostrado inflexíveis quanto à necessidade de a Grécia respeitar os compromissos assumidos anteriormente.

Um acordo é urgente, em virtude de o atual programa de resgate à Grécia expirar a 28 de fevereiro, e o país não estar ainda em condições de regressar de forma autónoma ao financiamento nos mercados.