O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, reconheceu que ele e a chanceler Ângela Merkel têm “distintas opiniões” sobre a Grécia e admitiu a possibilidade de vir a demitir-se.

Numa entrevista publicada este sábado pelo semanário "Der Spiegel", o governante admitiu que “faz parte da democracia ter, de vez em quando, opiniões diferentes” e lembrou que em política ninguém pode obrigar os outros a tomarem decisões que são da competência do cargo que exercem.

“Cada um tem o seu papel. Ângela Merkel é chanceler, eu sou ministro das Finanças. Os políticos têm a responsabilidade do seu cargo. Nada os pode forçar. Se alguém tentasse isso, eu poderia pensar em pedir a demissão”, salientou.

O Eurogrupo aprovou na quinta-feira um financiamento imediato à Grécia - o chamado empréstimo ponte - no valor de 7 mil milhões de euros.

Note-se que é esta verba que Atenas tem de pagar ao BCE até á próxima segunda-feira. Este dinheiro torna-se imperioso, uma vez que o montante do terceiro resgate ainda vai demorar a estar disponível, sensivelmente quatro semanas. 

Esta sexta-feira os deputados da câmara baixa do parlamento alemão (Bundestag) aprovaram por maioria as negociações de um terceiro plano de ajuda à Grécia, que pode chegar aos 86 mil milhões de euros. 

No mesmo dia a Comissão Europeia anunciou um acordo entre os Estados-membros da União Europeia sobre um empréstimo intercalar à Grécia, que garante que 7 mil milhões de euros chegarão a Atenas na segunda-feira, a tempo de prevenir um incumprimento.