Depois de muito bater o pé, a Grécia mudou de ideias e vai afinal privatizar o porto de Pireus. Atenas pediu a três empresas para apresentarem propostas até setembro, revela a Reuters.

No ano passado, o governo grego já tinha elaborado uma short-list de interessados na privatização mas o atual executivo, encabeçado por Tsipras, deixou cair a privatização do porto quando chegou ao poder.

Ainda assim, ao invés dos 67% que eram parte da oferta anterior, o governo quer agora privatizar apenas 51%. Os 67% ficam condicionados a um espaço temporal de cinco anos se forem investidos 300 milhões de euros. O governo helénico quer anunciar o vencedor o mais tardar em outubro.

 Este é um sinal de que a Grécia começou a ceder nas negociações com os credores internacionais, que estão num impasse há várias semanas. Esta pode ser uma das maiores concessões que Atenas vai fazer ao Grupo de Bruxelas, no sentido de ser retomada a ajuda financeira.

Aliás, já esta quarta-feira o governo grego tinha dado indicações à equipa de negociadores de Atenas, no sentido de acelerarem as negociações, já que a Grécia está no limite e pode entrar em incumprimento muito em breve.

Esta quinta-feira Varoufakis afirmou que quer adiar os reembolsos gregos ao Banco Central Europeu. Numa conferência do Economist em Atenas, o ministro grego das Finanças argumentou ainda que a Grécia não deverá conseguir pagar os 6,7 mil milhões de euros que tem de devolver ao BCE no verão. 

O que o governante grego quer, à semelhança do que Portugal fez, é pedir um alongamento no tempo do prazo das maturidades das obrigações detidas pelos investidores. Recorde-se que o Banco Central Europeu é o detentor de muitas dessas obrigações.