O ministro da Economia alemão, Sigmar Gabriel, afirmou esta quarta-feira que a Grécia não foi vítima da UE e da troika, mas das suas próprias elites, e pediu ao Governo grego que assuma isso na definição das suas políticas.

«O novo Governo grego comporta-se como se o seu país tivesse sido vítima da União Europeia e da troika. Isso é falso. A Grécia foi vítima das suas próprias elites políticas e económicas. Elas saquearam o país», disse Gabriel, que é também líder do Partido Social-Democrata (SPD) e vice-chanceler do Governo de Angela Merkel, numa entrevista à revista Stern.

O ministro disse compreender a escolha dos eleitores gregos, que a 25 de janeiro deram a vitória ao partido de esquerda antiausteridade Syriza, mas considerou que esse voto foi uma forma de se refugiarem em “soluções supostamente fáceis”.

«Durante muito tempo, a nossa oferta aos gregos foi apenas dizer-lhes que poupassem. Limitar-se a cortar pensões e salários é algo que nunca tirou um país da crise», admitiu.

Nesse sentido, acrescentou, é legítimo que o novo Governo grego determine o seu curso, mas as consequências financeiras da sua política não podem ser assumidas por outros países europeus.

Em contrapartida, Sigmar Gabriel ofereceu ao Governo de Alexis Tsipras um «apoio ativo» europeu à luta contra a evasão fiscal e a corrupção no país, que «incluiria, no caso dos delitos fiscais, o bloqueio de contas de cidadãos gregos noutros países da EU».

A Alemanha está pouco recetiva às propostas avançadas nos últimos dias pelo ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, de substituir títulos de dívida externa por outros indexados ao crescimento económico nominal e obrigações perpétuas, segundo fontes do executivo alemão citadas pelo diário Frankfurter Allgemeine.

As fontes afirmaram ao jornal que Berlim considera as propostas gregas equivalentes a um perdão da dívida, apesar de a Grécia não o referir como tal.

Por outro lado, segundo as fontes, o Governo alemão sustenta que há muitas questões que não podem ser resolvidas apenas com um acordo político, já que envolvem aspetos jurídicos relevantes.

Yanis Varoufakis reúne-se na quinta-feira, em Berlim, com o homólogo alemão, Wolfgang Schäuble.