Dois antigos administradores do BES e do Novo Banco, Jorge Martins e João Freixa, reconheceram esta terça-feira no parlamento a sua «profunda consternação» com o impacto que o colapso do banco teve sobre muitos clientes.

«Queremos expressar a nossa profunda consternação com todos os que foram afetados com esta situação do BES», afirmaram os responsáveis durante a leitura da sua declaração inicial na audição na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES/GES.

Esta declaração é assinada pelos dois antigos altos quadros do BES, que chegaram a transitar para o Novo Banco, e que estão a ser ouvidos pelos deputados em simultâneo, algo que acontece pela primeira vez nesta comissão.

Jorge Martins e João Freixa garantiram que só tiveram conhecimento da situação por que passava a Espírito Santo International, uma holding de topo do Grupo Espírito Santo, no início de dezembro.

«A 04 de dezembro [de 2013], fomos confrontados com a informação sobre a ESI [cujas contas continham irregularidades graves]. Até final de 2013 a exposição do BES ao GES era pouco expressiva e limitada às empresas operacionais do GES», sublinharam.

A comissão de inquérito teve a primeira audição a 17 de novembro passado e tinha inicialmente um prazo total de 120 dias, até 19 de fevereiro, mas foi prolongado por mais 60 dias.

Os trabalhos dos parlamentares têm por objetivo «apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades».