O diretor de Supervisão Prudencial do Banco de Portugal (BdP), Carlos Albuquerque, reconheceu que a situação do Banif foi-se deteriorando junto da opinião pública, e a entidade apresentava "especiais dificuldades de recuperação".

A reputação geral do banco foi-se deteriorando num contexto de progressiva perceção pública menos positiva face à sua solidez", declarou Carlos Albuquerque, que falava na comissão parlamentar de inquérito sobre o Banif.

O banco, prosseguiu o responsável do supervisor, "apresentava especiais dificuldades de recuperação", culpa, nomeadamente, dos "desvios nos pressupostos económicos no plano de recapitalização" firmado em 2013.

O Banif não apresentava capacidade de reforço dos capitais próprios com recursos aos acionistas privados", vincou Carlos Albuquerque, na sua intervenção inicial perante os deputados.

O responsável adiantou ainda que sobre “toda a atividade desenvolvida pela supervisão sobre a situação do Banif foi dado conhecimento a todas as partes interessadas relevantes: Ministério das Finanças, Banco Central Europeu, Mecanismo Único de Supervisão, autoridades de supervisão congéneres internacionais e nacionais e representantes do Estado na administração do Banif".

Depósitos e liquidez com “acentuada” deterioração

O diretor de Supervisão Prudencial do Banco de Portugal (BdP), Carlos Albuquerque, reconheceu que após as "notícias televisivas" sobre o Banif, em dezembro de 2015, houve uma "acentuada" deterioração da situação dos depósitos e liquidez do banco.

A posição de depósitos e de liquidez deteriorou-se de forma muito rápida e acentuada. O banco deixou de dispor de colaterais para aceder ao Eurosistema e iniciou o recurso aos financiamentos de emergência (ELA)", vincou o responsável do supervisor.

Carlos Albuquerque falava na comissão parlamentar de inquérito sobre o Banif e referia-se a "notícias televisivas conhecidas", mas em causa está uma notícia da TVI de 13 de dezembro de 2015 sobre o Banif - nessa noite, um domingo, a estação dizia que, "caso não se" encontrasse um novo acionista durante a semana que ia começar, o Banif seria sujeito a uma resolução onde se separasse "a parte boa, os ativos saudáveis, da má, os ativos tóxicos".

Antes disso, e durante todo o processo do Banif, o BdP, diz o seu diretor de Supervisão Prudencial, "efetuou análises e diligências de vária natureza", tendo sido "pedidos e escrutinados diversos planos de capital e de contingência de liquidez do banco”.

Foram emitidas recomendações e determinações específicas, tendo presente a defesa dos dinheiros públicos envolvidos, a proteção dos depositantes e a defesa da estabilidade financeira no país, dentro das restrições funcionais, patrimoniais e legais e regulamentares da instituição", realça Carlos Albuquerque.