As exportações aumentaram mais do que as importações de bens em agosto, o que já não acontecia desde março. Na comparação com agosto do ano passado, a subida foi de 14,3%, bem mais expressiva do que a verificada em julho na comparação homóloga (+4,6%) e as importações aumentaram 12,8% (+13,0% no mês anterior), revela o Instituto Nacional de Estatística.

Os maiores contributos para a aceleração das exportações provieram das categorias económicas de material de transporte [+39,1%] e de combustíveis e lubrificantes [+38%]".

É preciso recuarmos quatro meses, até março, para encontrar um mês em que as exportações cresceram mais do que as exportações: +24,2% e + 15,5%, respetivamente.

Ainda assim, e voltando às estatísticas de agosto, Portugal continua a importar mais do que exporta, daí existir ainda défice da balança comercial de bens. Aumentou 105 milhões de euros num ano, situando-se em 1.316 milhões de euros em agosto.

De notar que, para Portugal, são muito importantes as exportações de serviços, como o turismo, que não estão contabilizadas neste boletim do Instituto Nacional de Estatística.

Se não tivermos em consideração os combustíveis e lubrificantes, as exportações aumentaram 12,4% e as importações cresceram 14,7% (respetivamente +5,1% e +9,6% em julho de 2017). 

Já na comparação em cadeia, face ao mês anterior, "as exportações diminuíram 15,3%, quase exclusivamente devido ao comportamento do Comércio Intra-UE, e as importações decresceram 8,1%, reflexo da redução verificada nas importações Intra-UE, já que as importações de países fora da UE aumentaram".

O Banco de Portugal estima que a economia cresça 2,5% para este ano, amas a expansão no segundo semestre não será tão boa como no primeiro, precisamente por causa do travão que espera nas exportações.

Principais destinos

Em termos de países de destino, os maiores aumentos em agosto foram nos bens vendidos por Portugal para a Alemanha (+21,1%) e para Espanha (+8,3%).

Já quanto ao que compramos lá fora, são os mesmos países que estão em destaque, com um aumento das importações de 26,3% no caso da Alemanha e de 8% relativamente a Espanha.

Aliás, em agosto apenas as importações do Brasil diminuíram e a queda foi proeminente face ao mesmo mês de 2016: -60,8%.

Outras estatísticas

O INE também divulgou dados sobre a construção e sobre a indústria.

O índice de produção na construção acelerou em agosto para uma taxa de variação homóloga de 2,6%, enquanto os índices de emprego e de remunerações cresceram 2,6% e 1,3%, respetivamente.

Isto quer dizer que os índices de produção e de emprego na construção aceleraram em agosto face a julho, quando tinham progredido 1,7% e 2%, respetivamente, mas que o índice de remunerações abrandou face ao mês anterior, depois de ter crescido 3,6% em termos homólogos.

A engenharia civil "destacou-se pela positiva", ao crescer 4,6% (2,4% em julho) e contribuiu com 1,8 pontos percentuais para a variação do índice agregado.

O índice de volume de negócios também aumentou o ritmo em agosto para mais 11,3% (5,6% em julho). Emprego, remunerações e horas trabalhadas aumentaram também de forma mais intensa.