A liberdade económica recuperou este ano a nível global, ao fim de cinco anos de retrocesso, revela hoje a 20.ª edição do Índice da Liberdade Económica, da norte-americana Heritage Foundation.

Numa edição em que assinala os seus 20 anos, o índice, realizado por aquele centro de investigação conotado com a direita conservadora dos EUA, em colaboração com o Wall Street Journal, indica que, em média, a liberdade económica no mundo aumentou 0,7 pontos no último ano e 2,7 pontos face a 1995.

«A média global de liberdade económica no índice de 2014 é de 60,3, a mais alta nos 20 anos de história do índice», pode ler-se nas conclusões do relatório.

Abrangendo 186 países, que representam 99% da população mundial, o índice analisa o compromisso dos países com 10 liberdades - desde o direito de propriedade, a intervenção governamental limitada ou a abertura aos mercados - e classifica os países com valores que vão de 1 a 100.

No topo surge Hong Kong, com 90,1, na base a Coreia do Norte, com 1,0.

Globalmente, a economia mundial tornou-se «moderadamente livre», tendo as classificações melhorado em oito das dez liberdades económicas. A liberdade para investir melhorou 3,3 pontos em média, enquanto as classificações na liberdade laboral e na despesa governamental aumentaram em média um ponto ou mais, revela o relatório.

As classificações médias só pioraram na área do Estado de Direito, com os direitos de propriedade e a liberdade face à corrupção a perderem 0,3 pontos cada.

Um total de 114 países, a maioria dos quais menos desenvolvidos, contribuíram para o aumento da liberdade económica no último ano e 43 Estados, incluindo Singapura, Suécia, Colômbia, Polónia, Cabo Verde e Turquia, atingiram agora os seus melhores resultados de sempre no índice.

Quatro países não registaram qualquer alteração na classificação, enquanto 59 perderam terreno, incluindo nove economias avançadas, entre as quais os EUA, que registou um declínio na liberdade económica pelo sétimo ano consecutivo, indica o índice da Heritage Foundation.

Este ano, os EUA caíram dois lugares na lista dos países com mais liberdade económica, para 12.º lugar e a sua classificação caiu quase seis pontos face a 2007.

Os níveis médios de liberdade económica aumentaram em todas as regiões exceto na América do Norte e no Médio Oriente/Norte de África.

A região da Ásia-Pacífico registou as maiores subidas, com Burma, Malásia e Samoa a liderar as melhorias.

Apesar do progresso global das duas últimas décadas, sublinha o relatório, o número de pessoas a viver em países sem liberdade económica continua muito alto: 4,5 mil milhões (cerca de 65% da população mundial), mais de metade dos quais vive na China e na Índia.

O relatório conclui ainda que os dados recolhidos ao longo de 20 anos do Índice «provam inequivocamente que as economias com maiores níveis de liberdade económica têm melhores desempenhos no crescimento económico e na prosperidade de longo prazo, assim como «maiores progressos em muitas dimensões do desenvolvimento social e humano.