Portugal é dos últimos na tabela no ranking dos países da Europa a 28 sobre igualdade de género. Ainda melhorou uma posição, para 21.º, mas ainda assim está no fundo do ranking do Instituto Europeu para a Igualdade de Género. Atrás de Portugal, só mesmo República Checa, Grécia, Croácia, Chipre, Luxemburgo, Roménia e Eslováquia.

O ranking avalia os vários países em seis domínios, desde o trabalho, dinheiro, saúde, educação, tempo e poder. É nas três primeiras que Portugal se destaca e nas três últimas que obtém as piores classificações. No total, ficou com 56 pontos.

Os dados do EIGE, relativos a 2015, e aqui citados pela Lusa, mostram que a média europeia está agora nos 66,2 pontos em 100, quatro pontos acima do valor de há dez anos. A Suécia está em primeiro lugar, com 82,6 pontos, e a Grécia no fim, com 50 pontos.

Portugal tem vindo a conseguir melhorar a sua posição, já que começou com 49,9 pontos em 2005, subiu para 53,7 em 2010, 54,4 em 2012 e agora 56 em 2015.

Pontos na saúde, mas...

É mesmo na saúde que o país obtém a classificação mais elevada, 83,6 pontos em 100. O ranking  alerta, porém, para o facto de as desigualdades de género serem um desafio crescente para as sociedades envelhecidas.

Apesar da pontuação tão alta, Portugal é incluído no grupo de três países, com a Lituânia e a Letónia, com as piores situações, com o EIGE a referir que a saúde é um indicador da situação económica e de educação de um país, já que “baixos níveis de educação significam uma saúde mais pobre, especialmente entre as mulheres”.

No que diz respeito à educação, a classificação chega aos 54,8 pontos. O país inclui-se num grupo de cinco onde a situação melhorou mais de 10 pontos no nível educativo e participação.

Trabalho e dinheiro

Em matéria de trabalho, 72 pontos. O relatório diz que tem havido um progresso muito lento nos últimos dez anos na União Europeia. As pontuações mais elevadas são da Suécia, Dinamarca e Holanda. As mais baixas da Grécia, Itália e Eslováquia.

Já em matéria de dinheiro, Portugal consegue uma avaliação de 70,9 pontos, e é incluído no grupo de sete países com progressos marginais, abaixo dos três pontos. Já a maioria dos estados membros melhorou nesta área desde 2005, “trazendo as mulheres e os homens para igual acesso à independência económica”.

Sobre a questão monetária, o EIGE aponta que as desigualdades ao longo da vida levam a maiores fossos de género nas idades mais avançadas, e que as mulheres enfrentam um maior risco de pobreza em idosas do que os homens, com 18% das mulheres e 12% dos homens com mais de 75 anos em risco de pobreza monetária.

Poder

Onde Portugal tem a classificação mais baixa é em matéria de poder, com 33,9 pontos. Ainda assim, conseguiu subir mais de 10 pontos graças a ter melhorado o equilíbrio entre géneros nas tomadas de decisão.

Grande parte do sucesso é atribuída à introdução de quotas. Portugal é um dos nove países com legislação específica e um daqueles onde houve mais progressos graças ao facto de a legislação de quotas estar a ser aplicada há mais tempo.

Por último, no que diz respeito ao uso do tempo, onde Portugal obtém 47,5 pontos. É um dos nove países que, em 2015, atingiram a meta de providenciar creche a 33% de crianças com menos de três anos.

Tarefas domésticas: fosso de género de 60%

Por outro lado, os homens portugueses são dos que menos usam do seu tempo nas tarefas domésticas, o que faz com que em Portugal haja um fosso de género de 60%.

As conclusões, no geral, apontam para que a União Europeia a 28 está a conseguir fazer progressos em matéria de igualdade de género, ainda que de forma lenta.