Um estudo científico da Universidade de Harvard, nos EUA, chegou à conclusão de que a capacidade das pessoas para tomarem boas decisões financeiras começa a entrar em declínio a partir dos 53 anos. 
 
Os resultados foram obtidos medindo-se dois tipos de inteligência, que ajudam as pessoas a gerirem o dinheiro. A primeira é chamada de «inteligência cristalizada» e é baseada em capacidades adquiridas através da experiência, que melhora com a idade. A segunda denomina-se «inteligência fluída» e trata-se da habilidade de resolver problemas, que diminui com a idade.
 
De acordo com os académicos, o desempenho cognitivo global declina depois dos cinquenta anos. Os investigadores explicam que tal fenómeno ocorre porque o processo de envelhecimento faz com que o cérebro se aproxime de um ponto em que a «inteligência cristalizada» para e compensa o declínio da «inteligência fluída».
 
O estudo também alertou que quando as pessoas chegam aos oitenta anos, cerca de metade da população já sofre de uma disfunção cognitiva significativa, tornando-as totalmente incapazes de realizar decisões financeiras importantes.
 
Este não foi o único estudo realizado para se perceber qual a habilidade das pessoas para tomarem decisões financeiras cruciais. Por exemplo, a Money Advice Service elaborou um estudo onde questionava qual o melhor negócio entre dois produtos financeiros e chegou à conclusão de que aproximadamente 20% das pessoas com 55 anos escolheu a opção errada.
 
O English Longitudinal Study of Ageing (ELSA) realizou testes à memória de pessoas com mais de 50 anos e chegou à conclusão de que as habilidades dos homens se mantêm até aos 60-64 anos, mas que depois entram em declínio.
 
Numa consulta feita recentemente, a empresa Nest apercebeu-se de que apesar de a maioria das pessoas se sentir confiante, ainda comete erros ou más decisões.
 
«Quando as pessoas já não podem trabalhar, às vezes chegam a um ponto em que ficam com medo de tomar qualquer decisão. Essa é a pior posição para se estar. Quanto mais velhos ficam, tendem a sentir-se mais vulneráveis e expostos», explicou Paul Taylor, da empresa de consultoria financeiro McCarthy Taylor, ao jornal The Telegraph.
 
Os resultados são significativos, uma vez que se trata da idade em que as pessoas têm de tomar decisões financeiras sobre a reforma. Mark Fawcett, diretor de investimentos da Nest, sugere que as pessoas planeiem como vão financiar a reforma, nos 50 anos, enquanto têm a capacidade mental suficiente para gerir o dinheiro.
 
«Todas as pessoas são diferentes por isso não faz sentido criarem-se estereótipos. Existem várias pessoas com oitenta anos que ainda são mentalmente capazes», contrapôs Ros Altmannm, o mais velho dos trabalhadores do Governo, que também estudou em Harvard e a pesquisa sobre a idade.
 
O governo britânico ficou tão preocupado com os resultados do estudo que apelou para se desenvolver produtos financeiros que permitam que as pessoas planeiem as suas pensões enquanto ainda estão nos cinquenta, dizendo que as decisões financeiras depois dessa idade se podem tornar «problemáticas».