A capital portuguesa vai ter um crescimento de 2,7% na ocupação hoteleira no próximo ano, sendo a cidade europeia com um acréscimo mais visível, revela um estudo da PricewaterhouseCoopers (PwC) apresentado hoje em Lisboa.

Susana Benjamim, uma das autoras da investigação, explicou à agência Lusa que «as novas rotas aéreas de Lisboa para cidades europeias, nomeadamente da easyJet, Ryanair e TAP, conjugadas com toda a visibilidade» do turismo nacional, estão por detrás deste aumento.

Esta situação tem, de acordo com a representante da PwC, um «impacto direto» noutros setores, como é o caso da restauração.

«As pessoas não vêm para ficar nos hotéis. Há toda uma complementaridade de oferta e é também isso que atrai os turistas», justificou.

Em 2014, Lisboa fica-se pelo terceiro lugar na taxa de crescimento da ocupação hoteleira, sendo ultrapassada por cidades como Edimburgo e Milão.

Também para este ano está prevista a abertura de 10 novos hotéis na cidade, essencialmente de quatro estrelas, e de «boutiques» no centro, que possibilitarão a criação de mil novos quartos, o que terá «um impacto muito positivo na nossa economia», sintetizou Susana Benjamim.

A presidente da direção executiva da Associação de Hotelaria de Portugal, Cristina Siza Vieira, admitiu à agência Lusa que não sabe se estas novas infraestruturas serão levadas adiante, já que «muitas vezes ouve-se falar de intenções e de projetos que estão aprovados, mas depois vão nascendo paulatinamente».

A dirigente acrescentou que esta não é «uma boa notícia a não ser que procurem novas formas de encher [os hotéis]. Mais mil quartos é muito quarto».

Paralelamente ao setor, «vieram para ficar», não só em Lisboa como noutras cidades europeias, novas formas de alojamento low cost, em que os turistas tentam outro tipo de experiências, ficando alojados, por exemplo, em bairros tradicionais, frisou Cristina Siza Vieira.

«A hotelaria continua a ser a hotelaria, a prestação do serviço, a criação de empregos. Os turistas que vêm para reuniões ou para umas férias curtas não ficam neste tipo de alojamento. Há mercado para todos, não há é condições de equidade para todos», acrescentou falando na construção à margem da lei de algumas destas hospedagens alternativas.

O estudo Room to grow: European citeis hotel forecast 2014 realizado pela PwC conclui ainda que há otimismo no turismo nacional, tendência esta que se verifica na generalidade das outras 17 cidades analisadas.