A Grécia tem cada vez mais hotéis ilegais, apesar das multas avultadas impostas pelo Governo como medida contra a evasão fiscal, denunciou o Gabinete de Hotelaria grego.

O presidente do Gabinete de Hotelaria da Grécia, Yorgos Tsakiris advertiu, esta quarta-feira que no país operam entre «40 a 45 mil empresas de hotelaria ilegais e há apenas três mil que cumprem a lei».

O responsável disse ainda que as perdas para as finanças públicas e segurança social estimam-se em 1.000 milhões de euros por ano por causa do incumprimento fiscal.

Segundo Tsakiris, os hotéis legais são prejudicados pela concorrência desleal de uma grande quantidade de empresas ilegais que oferecem preços muito mais baixos aos turistas.

«Preferem funcionar ilegalmente, apesar da multa draconiana de 50 mil euros que têm de pagar sempre que os fiscais do Ministério do Turismo os descobrem», explicou Tsakiris.

As denúncias do Gabinete de Hotelaria coincidem com as queixas do Sindicato dos Trabalhadores de Hotelaria e da Restauração.

«Um elevado número de hotéis obrigam os funcionários a trabalhar nestas condições, com ordenados abaixo do previsto no contrato coletivo de trabalho», disse à agência noticiosa espanhola Efe o presidente do sindicato, Panayotis Pruntzos.

O representante dos trabalhadores denunciou também o facto de outras empresas declararem para todos os trabalhadores, mesmo aqueles que ocupam cargos de diretores, o salário mínimo nacional, pagando o restante em dinheiro não declarado, o que provoca perdas consideráveis para as Finanças e para a Segurança Social.

O Ministério do Trabalho da Grécia anunciou recentemente que a fiscalização contra o trabalho não declarado nas regiões turísticas vai ser intensificada.

Em comunicado, o ministério refere que é estranho que o número de despedimentos seja superior aos novos contratos, sobretudo num período em que se regista o aumento da procura turística.

O número de turistas estrangeiros aumentou 16 por cento no primeiro trimestre do ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, disse esta quarta-feira, o instituto de estatística grego ELSTAT.

A Grécia está sob resgate financeiro com a troika constituída pelo Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e União Europeia presente no país governado pela coligação liderada pelo conservador Antonis Samaras, que mantém a aplicação de medidas de austeridade.