O presidente do Lloyds Banking Group, António Horta Osório, afirmou esta sexta-feira que o problema dos lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES) «é uma questão de moralidade» e que tem de haver uma «solução comercial».

O banqueiro, que falava na conferência anual do Jornal de Negócios em Lisboa sobre o tema «Os Caminhos do Crescimento», frisou que os responsáveis devem encontrar «uma solução que satisfaça» as pessoas afetadas, acrescentando que, se fosse em Inglaterra, este seria um problema que «já teria sido resolvido».

«É de bom senso que a situação seja resolvida rapidamente», observou, adiantando que «não é uma questão jurídica, é uma questão de confiança, de justiça para com as pessoas [a quem] numa relação comercial foram criadas expectativas».


Horta Osório disse também que será «óbvio» que, qualquer que seja a solução para os lesados do papel comercial, terá efeito nas contas do Novo Banco «com perdas para os contribuintes», mas considerou que a moralidade da questão se deve sobrepor a essas perdas.

«É o dinheiro deles. Têm direito a ter uma solução comercial que os satisfaça, uma solução comercial de mínima justiça e moralidade tem de ser encontrada», voltou a frisar.


Sobre o caso BES e PT, o banqueiro disse que há que «tirar uma lição para o futuro» e essa tem a ver com a governação das empresas, onde ainda são necessários muitos esforços para alcançar um sistema como o que existe em Inglaterra ou nos Estados Unidos.

Horta Osório afirmou também que não tem qualquer questão sobre a possibilidade de o Novo Banco poder vir a ser comprado por um grupo chinês, porque «o capital externo é sempre bem-vindo».

«Caso seja um comprador não presente no mercado [a comprar o Novo Banco], isso aumentará a concorrência. O capital externo é bem-vindo e não devemos ter nenhum 'parti pris' [opinião preconcebida] contra o capital estrangeiro», reforçou Horta Osório.

O presidente do Lloyds contestou a ideia da questão da defesa dos centros de decisão nacional, até porque, durante muitos anos, «foi uma maneira de muito poucos ganharem muito dinheiro».

Sobre o tema BPI, em que o banco está numa luta acionista, Horta Osório afirmou ser «triste» que o banco liderado por Fernando Ulrich esteja «bloqueado» pelos acionistas.

O BPI está ser alvo de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) por parte dos espanhóis do CaixaBank e, ao mesmo tempo, a empresária angolana Isabel dos Santos propôs uma fusão com o BCP.