O presidente do Paraguai, Horacio Cartes, admitiu que teve duas contas na filial do banco HSBC na Suíça, depois do seu nome ter aparecido na «Lista Falciani», escreve a agência EFE.

Em comunicado, o chefe de Estado explicou que abriu duas contas na unidade do HSBC na Suíça em 1989 e fechou-as em 1991.

«Cabe ressaltar que a abertura de contas em bancos no exterior é, e sempre foi, uma atividade legal no nosso país», declarou o chefe de Estado do Paraguai.

Horacio Manuel Cartes Jara foi registado no HSBC como «agente de turismo» sete dias depois da constituição da sociedade Cambios Amambay, agora Banco Amambay, instituição mencionada num documento confidencial da embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires encaminhado ao Departamento do Tesouro em Washington e publicado pelo Wikileaks.

Segundo a pesquisa do ICIJ, Cartes criou as contas na Suíça dois meses antes de ser enviado para a prisão, após ser acusado de participar de um suposto escândalo de evasão de divisas pelo qual passou cinco meses detido. A Justiça confiscou na época 800 milhões de guaranis (cerca de 200 mil dólares em 1989) do atual presidente.

O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação divulgou no domingo documentos confidenciais sobre o ramo suíço do banco britânico HSBC Private Bank, que revelam alegados esquemas de evasão fiscal. 

A investigação, batizada «Swissleaks», revela documentos fornecidos por um informático, Hervé Falciani, ex-trabalhador do HSBC em Genebra, ao governo francês em 2008, que deu início a uma investigação.

Portugal surge em 45.º lugar na lista de países que constam da informação divulgada, com um total de 969 milhões de dólares (855,8 milhões de euros) depositados no HSBC Private Bank, distribuídos por 778 contas bancárias de 611 clientes. Pelo número de clientes, Portugal surge em 33º.

Das 778 contas bancárias, 531 foram abertas entre 1970 e 2006, e dos 611 clientes com ligações a Portugal, 36 por cento tem passaporte português.