A Standard&Poor’s, agência de notação financeira,  pagou uma multa de 1.375 milhões de dólares (1.270 milhões de euros) ao departamento de justiça dos Estados Unidos. A agência é acusada de manipular o valor das hipotecas.

O pagamento final ao departamento da justiça é de 687,5 milhões de dólares (600 milhões de euros) e com uma quantidade idêntica compensará 19 Estados norte-americanos e o distrito da Columbia. A esta quantidade é preciso somar 77 milhões de dólares (67 milhões de euros) que a S&P aceitou pagar à Comissão de Valores de Mercado (58 milhões de dólares), e aos fiscais de NovaYork (12 milhões de dólares) e Massachusetts (7 milhões de dólares) pelas mesmas acusações.

Há um ano JP Morgan Chase pagou uma multa de 13.000 milhões de dólares pelas mesmas investigações. Até ao momento, os bancos de Wall Street já pagaram 130.000 milhões de dólares como castigo pelo abuso de hipotecas.
Tanto no caso da S&P como no caso dos bancos, as autoridades de investigação atribuem as culpas aos respetivos diretores. McGraw Hill afirma que este acordo «permitirá acabar com a incerteza e os inconvenientes» de futuras sanções.

Standar & Poors’s é a única das três grandes agências de notação financeira, para além da Moody’s e Fitch, que foi castigada. A agência defende que foi a única prejudicada quando os analistas do mercado também faziam a mesma valorização dos ativos.

A autoridade tributária exige a S&P uma compensação de 5.000 milhões de dólares pelas consequências da conduta fraudulenta da agência.

«Os investidores confiam que as agências de classificação como S&P sejam transparentes quando classificam valores», afirmou Andrew J. Ceresney, diretor da ordem pública da SEC (Securities and Exchange Commission). «Se a Standard&Poor’s põe os seus próprios interesses acima dos interesses financeiros dos investidores, estão a  esconder a verdade sobre a troca de investimentos», explicou Ceresney.

A comissão informou que a agência concordou «sem admitir ou negar as evidências» que iriam melhorar os procedimentos de controlo interno e que o pagamento da multa mostra apenas a cooperação ativa com as investigações.

S&P classificou a dívida hipotecária no valor de 2,8 mil milhões de dólares entre 2004 e 2007. A esta quantidade soma 1,2 mil milhões de dólares em seguros que protegem os ativos dos riscos. Os investigadores acusaram a agência de enganar os investidores por acharem que a classificação era objetiva e sem conflitos de interesse.

Entre as provas encontradas estavam documentos com mensagens internas que mostram que a firma tinha consciência do risco desses ativos.

S&P argumentou que o resto do mercado e os próprios reguladores - Reserva Federal e o Departamento do Tesouro - fizeram a mesma análise do mercado hipotecário no outono de 2007. Mas em contradição, a agência afirma ter adotado novas medidas de trabalho.

Após o castigo da S&P os Estados Unidos conseguiram encerrar um dos capítulos mais vergonhosos da sua história económica: fraudes cometidas por bancos e agências de classificação que ao longo da sua existência burlavam os seus investidores, segundo a acusação.

Os 16.650 milhões de dólares foram das maiores sanções impostas pelas autoridades financeiras dos Estados Unidos. No total o Bank America pagou 70.000 milhões de dólares como multa. JP Morgan Chase pagou 13.000 milhões de dólares, em 2013. Em 2014, o grupo Citigroup pagou 7.000 milhões de dólares, pelos mesmos motivos.