Os tripulantes de cabine da Ryanair de cinco países europeus, incluindo Portugal, cumprem esta semana uma greve para exigir a aplicação de leis laborais nacionais, enquanto a transportadora critica as paralisações “desnecessárias”, que podem levar a reduções de trabalhadores.

Na semana passada, a companhia informou que mais de 90% dos 50 mil passageiros com voos cancelados na quarta e quinta-feira, devido à greve dos tripulantes de cabine, tinham já alternativas asseguradas, como voos remarcados ou pedidos de reembolso feitos.

Em declarações à agência Lusa, Bruno Fialho, dirigente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), referiu esperar adesões semelhantes a anteriores protestos, mas sublinhou que se está a “lutar contra alguém que não joga com as mesmas regras e não cumpre a lei”.

O dirigente sindical criticou que o Governo não dê mais apoio aos tripulantes de cabine: “Com os portugueses, o Governo está aquém do que podia fazer”.

Com a paralisação marcada para vários países europeus, o sindicato espera “contrariar a ditadura” que a transportadora de baixo custo impõe aos seus funcionários.

Na segunda-feira, na informação enviada a propósito dos resultados do primeiro trimestre fiscal, a transportadora irlandesa de baixo custo referiu que, “se estas greves desnecessárias continuarem a danificar a confiança do cliente e os futuros preços/rendimentos em determinados mercados”, será então revista a operação de inverno (entre outubro e março)”.

“Pode levar a reduções de frota em bases perturbadas e à perda de empregos em mercados onde os funcionários concorrentes estão a interferir nas negociações com os nossos funcionários e com os nossos sindicatos. Não podemos permitir que os voos dos nossos clientes sejam interrompidos desnecessariamente por uma pequena minoria de pilotos”, segundo a mesma nota, que recordava a terceira paralisação de pilotos de hoje.

A Ryanair anunciou ter registado um lucro de 319 milhões de euros no seu primeiro trimestre fiscal (até 30 de junho), numa diminuição de 20%, na comparação homóloga.

A descida, segundo a companhia, deveu-se nomeadamente à diminuição do preço da tarifa média, à não contabilização das férias da Páscoa neste período, ao aumento dos custos com combustíveis, custos com trabalhadores e greves e falta de pessoal dos controladores aéreos.

Na mesma informação, a companhia aérea irlandesa notou ter implementado uma “série de iniciativas para tornar a Ryanair mais atrativa para pilotos e tripulantes de cabine”, como aumentos salariais, transferências para bases preferidas, investimentos em formação e reconhecimento de sindicatos.

A companhia referiu esperar mais “greves durante o período de pico do verão”, mas que não irá aceitar “exigências não razoáveis que comprometam quer os preços baixos, quer o modelo altamente eficiente”.

Os sindicatos que representam a tripulação de cabine da transportadora irlandesa convocaram para 25 e 26 de julho uma greve em Espanha, Portugal, Itália e Bélgica. A paralisação em Itália só se realizará na quarta-feira.

Os trabalhadores exigem que a companhia aérea de baixo custo, entre outras coisas, passe a respeitar os direitos dos trabalhadores em cada país em que opera e reconheça os representantes sindicais eleitos, que pretendem negociar um acordo coletivo de trabalho.