O ministro adjunto dos Negócios Estrangeiros grego, que é o principal representante de Atenas nas negociações com os credores considerou, em entrevista que será publicada no «Libération» de quinta-feira, que os seus interlocutores “não parecem dispostos ao compromisso”.

Euclide Tsakalotos afirmou que, nas últimas reuniões com os representantes da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, apresentou “uma série de propostas sobre as questões orçamentais”, mas que, na realidade, os seus interlocutores “não pareceram dispostos ao compromisso”.

Também na entrevista, Tsakalotos torna a abordar o tema das reformas, que é um dos pontos de divergência com os credores: “Os nossos interlocutores insistem sempre na baixa das (pensões de) reformas. É irrealista (fazê-lo) num país onde já foram consideravelmente reduzidas desde há cinco anos e onde dois terços dos reformados vivem abaixo da linha de pobreza”.

Ao final do dia, já o ministro das finanças grego afirmou que "não acredita” num acordo no Eurogrupo desta quinta-feira; e Alex Tsipras, o primeiro-ministro, disse mesmo que está disposto a assumir a responsabilidade pelo "grande não" aos credores, caso não cheguem a um acordo "honrável".

Numa conferência de imprensa com o chanceler austríaco, em Atenas, o chefe do governo grego afirmou que “um compromisso honrável pode ser alcançado”.


“Os meus ministros e eu, e o governo grego inteiro, vamos aplicá-lo e torná-lo possível. Mas se não chegarmos a um compromisso que consigamos honrar e uma solução financeira viável, o governo grego tomará a inteira responsabilidade de dizer “o grande não” à política destrutiva que tem afectado a Grécia”.


Esta tarde, um grupo de manifestantes colocou uma faixa de apoio ao governo grego, frente ao Parlamento, onde decorreu um protesto contra a austeridade, num período particularmente difícil nas negociações com Bruxelas.