A porta-voz do novo Governo grego, Sofía Vultepsi, rejeitou hoje as recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI) no seu novo relatório sobre o país, no qual pede novas medidas de ajustamento.

O FMI «vive no seu próprio mundo financeiro», disse Vultepsi, que na terça-feira assumiu o seu novo cargo de porta-voz do executivo, durante uma entrevista à cadeia de televisão ANT1.

«Não fazemos tudo o que diz o FMI», sublinhou.

A porta-voz deixou claro que, por muito que o relatório do fundo critique as sentenças que, nos últimos meses, anularam cortes salariais e pensões públicas aprovados pela troika, o FMI «não tem jurisdição para interferir em decisões judiciais».

O novo relatório do FMI assegura que a Grécia precisará de financiamento extra no valor de 12.600 milhões de euros a partir de maio do próximo ano, perante as expectativas do Governo do conservador Andonis Samarás de fechar os próximos exercícios com superavit primário.

Com efeito, autoridades europeias como o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, ou o chefe do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem, têm defendido que a Grécia assine um terceiro resgate financeiro de entre 10.000 e 20.000 milhões de euros, após os de 2010 (110.000 milhões) e 2012 (130.000 milhões).

A instituição financeira sediada em Washington recomenda a adoção de «medidas adicionais para fechar o fosso (financeiro) projetado para 2015-2016», o que implica novas reformas e cortes nos gastos públicos.

O FMI critica também Atenas por não avançar nas medidas de reforma do mercado laboral e pede que se enfrente o «tabu dos despedimentos coletivos» e que se reconheça aos empresários «o direito ao lockout defensivo (encerramento patronal)».

O Governo de coligação entre conservadores e sociais-democratas já prometeu aos gregos que «não haverá novas medidas de austeridade» e nega-se a assinar um terceiro resgate para não continuar ancorado à supervisão periódica da troika.