A Grécia submete esta quarta-feira um pedido à zona euro para que seja estendido o empréstimo por mais seis meses, confirmou fonte oficial à Reuters.

O objetivo é de ganhar tempo e evitar a austeridade plasmada no programa de resgate. Ainda assim, a Alemanha já veio dizer que essa oferta não está em cima da mesa e que Atenas deve cumprir os termos do acordo existente no âmbito do programa de resgate.

Aliás, também o Banco Central Europeu está a encontrar resistência por parte da Alemanha para permitir qualquer empréstimo urgente extra aos bancos gregos, segundo avança a agência de notícias Reuters, que cita fontes próximas do mercado. A resistência alemã aumenta a pressão sobre o governo grego que não aceita assinar um acordo que permita um prolongamento do atual programa de resgate, que termina a 28 de fevereiro.

A reunião do Banco Central Europeu está agendada para esta quarta-feira.

Depois na  segunda-feira, as negociações entre Atenas e a zona euro terem terminado sem acordo o Banco Central Europeu avalia esta quarta-feira até que ponto a Grécia consegue suportar a fragilidade dos bancos gregos, que enfrentam já o risco de uma fuga de depósitos.

Segundo escreve a Reuters, é pouco provável que o BCE decida baixar o valor do tecto da Assistência de Liquidez de Emergência aos bancos gregos, no entanto, uma recusa em aumentar os montantes significa igualmente más notícias para os gregos que estão perto de esgotar os 65 mil milhões garantidos até agora.

O chefe do Bundesbank, Jens Weidmann, que já alertou para o uso indevido dos fundos de emergência no financiamento do Estado grego, deverá defender na reunião do BCE precisamente o não aumento dos valores concedidos à Grécia, segundo as fontes ouvidas pela Reuters.

Na reunião desta quarta-feira, os governadores devem também defender que bancos gregos não devem usar o fundo de emergência na compra de títulos gregos a curto prazo, uma vez que isso seria uma forma de financiar ilicitamente o Estado grego.

A não ser que Atenas chegue a acordo até sexta-feira, a Grécia pode enfrentar uma corrida aos bancos. Segundo uma fonte bancária disse à Reuters, na quinta e sexta-feira da semana passada, mais de 500 milhões de euros foram retirados dos bancos gregos. 

Esta terça-feira, a Grécia e a União Europeia protagonizaram mais um intenso dia de negociações, ainda que nos bastidores. Depois da recusa da Grécia em assinar o acordo proposto pelo Eurogrupo, fontes oficiais do governo grego adiantaram que a Grécia estava disposta a assinar um acordo de seis meses que conceda um novo empréstimo a Atenas. No entanto, foi o próprio Alexis Tsipras que esclareceu, no Parlamento, de que um empréstimo não é um prolongamento de um programa de resgate com medidas de austeridade. 

Grécia e Bruxelas têm até sexta-feira para chegar a um acordo.