O ministro da Economia, António Pires de Lima, considerou esta quinta-feira que a recuperação do investimento «é como Ketchup e golos do Ronaldo», já que assim que começa «vem em golpes mais fortes».

Pires de Lima está ser ouvido em reunião conjunta das comissões parlamentares de Orçamento, Finanças e Administração Pública e de Economia e Obras Públicas, no âmbito do debate na especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2015.

«Vai demorar algum tempo a recuperar os níveis de investimento de 2001 e 2002», afirmou Pires de Lima.

O governante apontou que o movimento de apelo para resgatar a PT, cujos s ubscritores apelidou «de brigada do resgate» apresenta um modelo «que tem como consequência um resgate à custa dos portugueses».

Personalidades como Bagão Félix, Francisco Louçã, Freitas do Amaral e Manuel Carvalho da Silva subscreveram um «apelo para resgatar a PT», em que exigem «das autoridades políticas e públicas uma atuação intensamente ativa» na empresa. Este é um dos caminhos pelos quais Portugal não deve seguir, explicou.

«Se não entramos por essas vias, se nos mantivermos neste caminho que tem sido seguido, a recuperação do investimento é como Ketchup e golos do Ronaldo: quando começa, ela vem em golpes mais fortes», disse o ministro, que está a ser ouvido desde as 11:00.

Para o governante, se Portugal mantiver a trajetória, a recuperação do investimento ao nível de 2001 poderá acontecer «talvez em três a quatro anos».

Sobre a deflação, António Pires de Lima manifestou-se preocupado e disse que o «Governo está a tomar algumas» medidas.

«A nível europeu devíamos ter políticas que não fossem tão radicais do ponto de vista do controlo da inflação ao ponto de não termos inflação nenhuma na Europa», disse.

Questionado sobre que medidas o Governo está a tomar, António Pires de Lima citou o aumento do Salário Mínimo Nacional, que subiu mais do que a inflação.

«Medidas que só podíamos tomar, como disse António José Seguro [antigo secretário-geral do PS], depois da troika estar fora de Portugal. Assim que eles saíram, passámos a deixar de estar obrigados a seguir as suas recomendações e é por isso que há divergências».