Os presidentes das confederações patronais vão defender junto dos representantes da troika, na reunião do próximo dia 11, mudanças de fundo no processo de ajustamento, mas estão poucos otimistas em relação a uma eventual flexibilização do programa.

Estas posições dos líderes das confederações da Indústria (CIP), António Saraiva, Agricultura (CAP), João Machado, Comércio e Serviços (CCP), João Vieira Lopes, e Turismo (CTP), Francisco Calheiros foram transmitidas aos jornalistas no final de uma reunião com o secretário-geral do PS, António José Seguro.

No próximo dia 11, no âmbito da 10ª avaliação ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF) de Portugal, os parceiros sociais vão reunir-se com os representantes da troika.

«Vamos dizer à troika que esta é a décima de 12 avaliações que Portugal vai ter e que nesta há que reconhecer os erros cometidos, designadamente que o desenho do modelo de ajustamento não foi o melhor, porque provocou uma contração brutal do consumo interno e provocou que muitas empresas que trabalham para o mercado interno tenham desaparecido, com o consequente aumento do desemprego. Há que alterar o modelo de financiamento da economia, dando mais possibilidades às empresas portuguesas de acesso ao financiamento», advogou o presidente da CIP.

Segundo António Saraiva, uma empresa portuguesa paga praticamente o dobro de juros de uma congénere alemã para o mesmo valor de investimento.

«Há aspetos que a troika não pode ignorar nestas últimas avaliações, tendo de corrigir o desenho do modelo, reduzindo o custo do financiamento e promovendo o acesso a esse mesmo financiamento», disse.

Interrogado sobre a posição de inflexibilidade da troika face a mudanças no processo de ajustamento, António Saraiva comentou que «água mole tanto bate até que fura».

«Este modelo não serviu. Temos de exigir uma solução para um problema que permanece. Isto tem de ser dito, se eventualmente não o foi», frisou António Saraiva numa alusão indireta à atuação do Governo perante a troika.

Os restantes presidentes das confederações patronais mostraram-se pouco ou nada otimistas face a mudanças da troika em relação ao processo de ajustamento de Portugal, com João Machado a dizer que, em relação à reunião do próximo dia 11, «tem grandes reservas».

«Tenho muito pouco expectativa, embora seja necessário reiterar à troika que estamos muito preocupados com o estado do mercado interno e com o desemprego», declarou o líder da CAP.

Sobra a proposta do FMI para reduzir salários no setor privado em Portugal, o presidente da CAP advertiu que «é inaceitável uma baixa de salários imposta pela troika ao nível das empresas e da generalidade da economia».

«Não é por aí que se ganha competitividade», sustentou.

Também o presidente da CCP declarou não ter «uma expectativa muito otimista» face à reunião com a troika.

«Com base no Orçamento para 2014 e sobre as áreas que a troika pretende abranger, estamos preocupados que alguns indícios positivos na evolução da economia possam ser esmagados por um excesso de controlo de custos que leve a uma perda de poder de compra das famílias, Não acreditamos que, por si só, o fator exportação seja suficiente», referiu João Vieira Lopes.

No mesmo sentido, Francisco Calheiros afirmou que desde a quinta avaliação da troika, altura em que iniciou funções na confederação do turismo, «não tem visto qualquer flexibilidade» por parte dos representantes dos credores internacionais.