O ministro da Presidência considerou esta quinta-feira que será uma "boa notícia" se a venda do Novo Banco estiver concluída durante o mês de agosto, porque significa que o processo não se arrastará demasiado.

Questionado na conferência de imprensa realizada no final da reunião semanal do Conselho de Ministros sobre as notícias de que a venda do Novo Banco, prevista para o final deste mês ou início do próximo, deverá ser adiada até meados de agosto, o ministro da Presidência, Luís Marques Guedes, disse que "será apesar de tudo uma boa notícia".

Pois, continuou, significará que "o processo não se arrastará demasiado", não obstante a ‘derrapagem' em relação ao prazo inicialmente previsto.

Ressalvando que o assunto da venda do Novo Banco não foi tratado em Conselho de Ministros, Marques Guedes recordou que o processo de alienação "é todo ele tratado pelo Banco de Portugal enquanto supervisor e regulador do sistema financeiro".

Apesar disso, "o Governo acompanha o assunto", nomeadamente através da ministra das Finanças, que vai sendo informada pelo Governador do Banco de Portugal sobre como tudo está a correr, acrescentou.

"Mas, isso não quer dizer que seja matéria que tenha de ser tratada em Conselho de Ministros. Não é, nem tem de ser tratado em Conselho de Ministros", insistiu.

Interrogado ainda sobre o impacto do atraso da venda do Novo Banco no défice, o ministro da Presidência referiu que essa questão também não foi tratada em Conselho de Ministros.

Marques Guedes recordou, contudo, que há ainda "alguma indefinição" sobre como tratar e acolher em termos de contas nacionais o impacto desta medida de resolução.

"Portugal é o único país, pelo menos até ao momento, que se viu obrigado a utilizar o mecanismo de resolução que está previsto nas regras europeias, nas diretivas europeias, tudo o que se está a passar em Portugal é um pouco novo relativamente a essas mesmas regras. Portugal aguarda que as instâncias europeias definam exatamente como é que se deve fazer a classificação financeira do impacto destas medidas", disse.


Relativamente à "preocupação" manifestada recentemente pelo primeiro-ministro sobre a necessidade da Caixa Geral de Depósito (CGD) aumentar os seus níveis de rentabilidade para devolver o empréstimo do Estado, Marques Guedes disse que o assunto também não foi discutido em Conselho de Ministros, mas considerou que se tratou apenas de uma referência de Passos Coelho a uma "preocupação natural".

"Não é mais do que isso, trata-se apenas de uma nota de que a CGD tem de melhorar os seus níveis de rentabilidade interna para que possa satisfazer os seus compromissos", sustentou.