As atividades ligadas ao mar geraram, nos últimos cinco anos, 18 mil postos de trabalho, o que significa um aumento de 10% em contraciclo com as quebras no emprego registadas no conjunto da economia, segundo o secretário de Estado do Mar.

“Desde que foi feita a avaliação da Estratégia Nacional para o Mar [em 2010] até ao início deste ano, o número de postos de trabalho em atividades diretas ligadas ao mar [registou] um aumento de quase 10% o que é muito significativo”, destacou Manuel Pinto de Abreu em entrevista à agência Lusa.

“São cinco anos especiais, em que há uma tendência global de diminuição [de emprego] e não só o setor do mar aguenta, como aumenta o número de postos de trabalho”, acrescentou.


Lisboa vai tornar-se nos próximos dias a capital mundial dos oceanos, acolhendo reuniões ministeriais, encontros empresariais e uma conferência organizada pela revista The Economist para discutir o futuro da economia azul.

O secretário de Estado assinalou que a economia do mar tem estado a crescer, o que é “um bom sinal”, e estimou que atualmente representa um peso de aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

“Tem havido desenvolvimento, embora não seja um desenvolvimento em todas as áreas. Às vezes há áreas que andam um pouco para trás”, continuou, comentando desta forma as estatísticas mais recentes sobre a pesca que dão conta de uma quebra histórica nas capturas de 2014, que registaram o valor mais baixo dos últimos 45 anos.

“Temos de ver que essas oscilações estão dentro de uma trajetória que, em média, será ascendente”, indicou o governante.


Já outros setores, como o das conservas, destacaram-se pela positiva.

“O setor conserveiro foi recuperado e hoje tem mais 17 fábricas novas e passou a ter uma capacidade de produção que nunca teve, o que também corresponde a um aumento significativo das exportações”, congratulou-se Pinto de Abreu.


Salientando que “o mar tem todos os recursos”, vivos e não vivos, o secretário de Estado reconheceu que o petróleo “é um dos caminhos possíveis”, mas notou também que estes projetos são muito lentos em termos de desenvolvimento.

O primeiro projeto de mineração submarina, que está a ser desenvolvido na Papua Nova-Guiné pela empresa Nautilus Minerals, que se mostra igualmente interessada nos Açores, só deverá estar concretizado em 2018 e já dura há dez anos, exemplificou.

Pinto de Abreu adiantou ainda que tudo o que tem estado a ser feito ao nível dos recursos naturais tem estado associado ao projeto de extensão da plataforma continental, que prevê o alargamento dos limites exteriores para além das 200 milhas marítimas.

“Não são ações dedicadas à avaliação e inventariação de recursos mas dão pelo menos uma indicação clara de onde deveremos começar por procurar”, explicou, acrescentando que estão a ser adquiridos novos equipamentos para melhorar a avaliação prévia de recursos.


Questionado sobre se a burocracia representa um entrave ao desenvolvimento do setor, o secretário de Estado admitiu que “há muitas barreiras de papel”, mas disse que é preciso olhar para as situações “com serenidade” e compará-las com os exemplos internacionais.

“Tive oportunidade de fazer isso com a aquacultura, porque me confrontaram com um processo que durou cerca de dois anos, e foi-me difícil encontrar um estado da União Europeia” em que o processo demorasse menos tempo, observou o mesmo responsável.