O Governo vai prosseguir com a privatização de até 66% da TAP após o fim da "fracassada" greve dos pilotos que, apesar de ter tido uma baixa adesão, provocou um rombo adicional de 35 milhões de euros (ME) na tesouraria, disse o ministro da Economia.

"A privatização continua, ela é necessária para assegurar a sustentabilidade e viabilidade da TAP, para assegurar a recapitalização da TAP", disse o ministro da Economia aos jornalistas.


Esta greve de 10 dias, que terminou ontem à meia-noite, foi convocada pelo sindicato dos pilotos SPAC e aconteceu quando o Executivo tem previsto receber, até 15 de Maio, propostas vinculativas para alienar aquela parcela da companhia aérea.

O ministro aguarda que a TAP, que tem uma dívida de 1.000 milhões de euros (ME), lhe apresente um plano para minimizar os danos na frágil tesouraria e para que a "normalidade operacional regresse rapidamente à TAP", frisando: "a confiança, que foi abalada, tem de ser gradualmente restaurada".

Pires de Lima referiu que ainda decorre o processo de receção de propostas vinculativas, adiantando: "neste momento, ainda não recebemos nenhuma proposta para a aquisição da TAP".

A privatização da TAP é referida pela imprensa como estando a atrair sobretudo operadores brasileiros e os fundos norte-americanos Apollo e Cerberus.

Lembra a Reuters que, a 21 de abril último, o vice-presidente do Brasil, Michel Temer, referiu que tem falado sobre esta privatização com linhas aéreas brasileiras, citando a Gol, a Azul, a Avianca e a TAM, do grupo Latam.

Esta é a segunda tentativa de privatização da TAP. Em 2012, o Executivo português recusou a única proposta de compra, feita pela Synergy do magnata sul-americano German Efromovich que controla a Avianca, tendo depois disso outros operadores mostrado interesse.

Em Novembro de 2014, o Executivo decidiu relançar o processo de privatização, visando alienar 66% da TAP e permanecendo o Estado com os remanescentes 34%, que é uma minoria de bloqueio.

Portugal reservou uma parcela de 61 pct para um ou mais investidores de referência, mas o Estado tem uma opção de venda dos seus 34 pct, que poderão ser adquiridos por aqueles, nos dois anos subsequentes à privatização.

Um lote de 5% ficou reservado aos trabalhadores, mas os pilotos, com esta greve, visam que lhes seja atribuída uma fatia até 20%.

Esta tarde foi noticiado que o SPAC apresentou na Procuradoria-Geral da República (PGR) uma participação contra a TAP por alegado crime de violação do direito à greve, mas a companhia garante cumprir todas as regulamentações laborais