Dos três governantes que assinaram o decreto-lei 114-A/2014, de alteração ao regime geral das instituições de crédito e sociedades Pedro Passos Coelho, Hélder Reis e Rui Machete, apenas Rui Machete tinha, segundo a sua declaração de rendimentos depositada no Constitucional, alguns milhares de euros investidos no Grupo Espírito Santo, revela o Público.

Mas não era o ministro mais exposto: José Aguiar Branco, segundo dados que declarou em 2011, tinha mais de 370 mil euros em aplicações financeiras, fundos, gestão de carteiras, banca-seguros e carteira de títulos.

No Governo, alguns secretários de Estado tinham comprado centenas de milhares de euros em dívida do GES. Pedro Pereira Gonçalves, titular da pasta da Inovação, investira 290 mil euros em obrigações do falido Espírito Santo Banque Privée, que lhe geria também 107 mil euros em fundos, além de 19.492 ações do BES e 200 da Espírito Santo Financial Services.

Nuno Brito, secretário de Estado da Alimentação, detinha à data, 100 mil euros em obrigações da Espírito Santo Financial Group.

No total, 16 membros do Governo estavam expostos à queda do grupo liderado por Ricardo Salgado, sendo que a maioria declarava ter depósitos a prazo e Planos Poupança Reforma.

O único que se libertou da exposição foi Pires de Lima, que quando chegou ao Governo deu ordem aos seus bancos para alienar todos os títulos de ações portuguesas. Nessa altura vendeu mais de 80 mil ações do BES, operação pela qual terá recebido cerca de 70 mil euros.