A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) anunciou hoje que escreveu ao secretário de Estado Sérgio Monteiro a criticar o «esvaziamento» da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) e a pedir uma reunião sobre a empresa.

Na carta aberta dirigida ao secretário de Estado e com conhecimento do presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, e dos grupos parlamentares, a FECTRANS e o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN) referem que, só em janeiro deste ano, não foram asseguradas 4.500 viagens por falta de efetivos na STCP.

«Esta perda de viagens tem um efeito muito mais destrutivo do que uma greve, que o sr. secretário de Estado muitas vezes usa para denegrir a imagem dos trabalhadores, pois a falha de viagens que ocorre aleatoriamente e de forma não planeada na rede ao longo do dia, sem aviso prévio às populações, é muito mais prejudicial aos utentes do que qualquer período de greve em que os trabalhadores estão a lutar pelos direitos que lhes foram retirados abusivamente», escreve a federação sindical.

A FECTRANS salienta haver motoristas que «devido ao elevado défice de efetivos, realizam mais de 14 horas de condução efetiva num dia de trabalho, numa clara violação da legislação em vigor».

Aquela estrutura recuperou também a questão da zona de exclusividade da STCP sobre a cidade do Porto, sublinhando que «diversos operadores privados têm vindo a violar esta exclusividade nos últimos anos».

«É ou não verdade que este projeto prevê o esvaziamento da empresa, a entrega de linhas da STCP a operadores privados, tendo como objetivo a privatização da empresa?», questiona a FECTRANS.

No começo do mês, o presidente da administração da STCP revelou no parlamento que o futuro da empresa pode passar por manter a exclusividade na operação rodoviária do Porto e ganhá-la nos grandes corredores de acesso à cidade.

Afirmando que a STCP está, «pelo menos, há 40 anos em reestruturação» e que há que «estancar isto», João Velez de Carvalho disse que tem estado a estudar a reestruturação da rede da STCP com a tutela (Ministério da Economia), a Câmara do Porto, a junta metropolitana e a Autoridade Metropolitana de Transportes.

Na altura, o presidente da empresa criticou ainda o «desrespeito pelo exclusivo da STCP no Porto» por parte de outras empresas, afirmando que nem a polícia, nem a autoridade metropolitana conseguem impedir outros operadores de trabalharem ilegalmente dentro da cidade.

Questionado sobre o alegado pouco número de motoristas na STCP, o responsável admitiu que são insuficientes, mas que o problema está a ser resolvido.