O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, afirmou que «trabalha com factos» por serem «mais sólidos» do que as previsões orçamentais.

«Governar é ser pragmático. Interessam-nos mais os factos do que as previsões. A melhor maneira de prever o futuro é fazê-lo. O investimento está a crescer e precisamos de mais, as exportações estão a crescer e precisamos de mais, o emprego está a melhorar e trabalhamos para que haja mais oportunidades», afirmou no discurso de inauguração de uma fábrica de uma multinacional norte-americana em Viana do Castelo.

Já no final da cerimónia e questionado pelos jornalistas se aquela afirmação era um recado às previsões menos favoráveis de organizações internacionais ou às declarações da presidente do Conselho de Finanças Públicas , Teodora Cardoso - que, na quarta-feira, alertou para «riscos na previsão de receita dos impostos diretos», como o IRS e o IRC, e para a existência de um «risco de execução orçamental não negligenciável» do lado dos impostos indiretos no Orçamento do Estado para 2015 - Portas respondeu: «Eu trabalho com factos. As previsões são úteis, mas os factos são mais sólidos».

Para sustentar a afirmação apontou como exemplo a nova fábrica da Borgwarner em Viana do Castelo, um investimento de 24 milhões de euros que permitirá «quase duplicar o volume de negócios e criar 90 a 120 postos de trabalho».

«São investimentos como estes, com profundidade e qualidade que nos interessam como país. O caminho faz-se andando», sublinhou.

Para Paulo Portas são investimentos como estes que Portugal «mais precisa» neste momento «para sustentar o crescimento nesta fase de transição para uma economia melhor».

A «vocação» exportadora da multinacional norte-americana foi outros dos aspetos realçados pelo governante.
Segundo dados de 2013, avançados por Paulo Portas, a empresa faturou «85 milhões de euros, quase 100% para exportação», sendo que para o mercado interno «fica menos de 1%», um contributo, sustentou, «muito importante» para a modernização da economia nacional.

«Com este investimento, a Borgwarner pode e deve crescer entre 140 e 170 milhões de euros nos próximos anos. Não é coisa pouco. Trata-se de um enorme impulso ao volume de negócios gerado por esta unidade».

Portas sublinhou que há poucos anos «Portugal tinha cerca de 28% do seu produto em exportações» mas atualmente «tem mais de 40% do seu produto em exportações».

«O nosso objetivo é por volta de 2020 superar os 50% de exportações. Isso fará da nossa economia uma economia muito mais preparada para competir na globalização», disse.

Referindo à «celeridade» imprimida à viabilização deste investimento o governante elogiou o «profissionalismo» da equipa da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal e sublinhou a posição «cooperativa e amiga das autoridades municipais».

«No final de 2013 este investimento foi-nos apresentado enquanto projeto. Em março de 2014 estava a ser assinado o contrato. É um tempo rápido de decisão para um país que precisa ser rápido a recuperar o crescimento, o investimento e os postos de trabalho», frisou, adiantando que é um «bom exemplo que quer ver disseminado pelo país»