O antigo presidente executivo do BES, Ricardo Salgado, foi detido esta quinta-feira na casa onde reside, no Estoril, e constituído arguido. Ricardo Salgado começou a ser ouvido esta manhã pelo juiz Carlos Alexandre.

DCIAP já tinha chamado Salgado há 2 anos

A informação da detenção foi confirmada pela Procuradoria-Geral da República em comunicado enviado às redações, ao abrigo da lei de publicidade e segredo de justiça.

«No âmbito do Processo Monte Branco, o Ministério Público (DCIAP) tem vindo a realizar várias diligências que culminaram com a detenção de Ricardo Salgado no dia de hoje», lê-se na nota.

A ascenção e queda de Ricardo Salgado (perfil em vídeo)

A detenção de Ricardo Salgado aconteceu porque havia, alegadamente, o risco de destruição de documentos, depois de ter alugado duas salas no Palácio Hotel, no Estoril. O ex-presidente do BES estaria também a efetuar chamadas telefónicas encriptadas para que não fosse escutado pelas as autoridades.

Não existem ainda informações oficiais sobre os crimes de que Salgado será suspeito, mas o Jornal de Negócios avança que as suspeitas sobre Ricardo Salgado dirão respeito, sobretudo, às transferências de 14 milhões que o antigo banqueiro recebeu do construtor José Guilherme.

Ricardo Salgado está a ser ouvido desde as 10:30 desta quinta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa. Ao que a TVI apurou no local, Ricardo Salgado não chegou ao TIC em carrinha celular, mas sim em carro próprio acompanhado pelas autoridades e entrou pelo parque de estacionamento.

A detenção ocorreu levada a cabo no âmbito do envolvimento do ex-banqueiro na chamada Operação Monte Branco, que investiga a maior rede de branqueamento de capitais alguma vez detetada em Portugal.

A operação foi desencadeada pelo Ministério Público com o apoio de inspetores tributários e liderada pelo juíz Carlos Alexandre e surge no seguimento de buscas efetuadas ontem, quarta-feira, conforme noticia o Público.

Fonte da Polícia Judiciária garantiu à TVI24 que a detenção não foi efetuada por elementos desta força policial.

A operação Monte Branco está relacionada com um alegado esquema de fuga ao fisco e branqueamento de capitais através de um sociedade suíça de gestão de fortunas detida por Michel Canals e Nicolas Figueiredo, antigos quadros do banco suíço UBS, além de Álvaro Sobrinho, presidente não executivo do BES Angola.

Última atualização às 13:34