A Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva (FRESS), que tem como principais mecenas pessoas ligadas ao Grupo Espírito Santo, vai procurar tomar medidas que «garantam a sustentabilidade», depois da crise financeira em que estão envolvidos os mecenas.

Em colaboração com o conselho de administração da Fundação, o conselho de curadores está a «analisar vários cenários e a desenvolver um conjunto de ações no sentido de garantir a sustentabilidade económica, financeira e institucional», lê-se num comunicado citado pela Lusa.

O conselho de curadores reuniu-se esta quinta-feira, em Lisboa, para debater a situação da Fundação, criada em 1953, que até agora tinha como principais mecenas o Banco Espírito Santo e o Grupo Espírito Santo.

Atualmente, a fundação detém o Museu de Artes Decorativas e mais 18 oficinas de artes e ofícios tradicionais portugueses que ensinam intervenção especializada no património nas vertentes de conservação e restauro.

Tutela ainda duas escolas para ensino das Artes: a Escola Superior de Artes Decorativas (ESAD) e o Instituto de Artes e Ofícios (IAO).

A FRESS foi criada pelo banqueiro e colecionador Ricardo Espírito Santo Silva (1900-1955), que doou o Palácio Azurara, em Lisboa, e parte da sua coleção privada ao Estado português para criar um museu-escola que divulgasse as artes decorativas portuguesas e os ofícios relacionados.

No comunicado divulgado pelo conselho de curadores, presidido por José Manuel Espírito Santo Silva, a entidade aponta «dificuldades», e refere como causa principal a crise financeira no Banco Espírito Santo e no Grupo Espírito Santo, que «introduziu profundas alterações no modelo de financiamento das atividades correntes da Fundação».

Face à situação, os órgãos sociais estão a «analisar vários cenários e a desenvolver um conjunto de ações no sentido de garantir a sustentabilidade económica, financeira e institucional da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, que oportunamente serão divulgadas».

No ano passado, a FRESS, tal como outras fundações do país, já tinha sido alvo de um corte de 30 por cento nos apoios financeiros do Estado, na sequência de um censo a estas entidades realizado pelo Governo em 2012.

Entidade de direito privado, sem fins lucrativos e com estatuto de utilidade pública, a Fundação diz contar atualmente com 140 colaboradores.

No ano passado, a FRESS foi distinguida pela organização Europa Nostra, que atribui os Prémios Europeus do Património, pelo trabalho desenvolvido na área da recuperação do património e promoção dos ofícios tradicionais portugueses.

A administração da Fundação é presidida por Luís Calado, ex-presidente do antigo Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR).