O empresário Humberto Pedrosa, que lidera o consórcio Gateway, afirmou que está confortável com o acordo assinado hoje de manhã com o Governo, que devolve ao Estado 50% da TAP, referindo que a "boa vontade e diálogo permitiram o casamento".

"Inicialmente disse que o nosso projeto e o do Governo não casavam, mas a boa vontade de ambas as partes e o diálogo permitiram que terminasse em casamento, como não podia deixar de ser entre pessoas de boa-fé", afirmou hoje Humberto Pedrosa, na cerimónia de assinatura do memorando de entendimento, no Ministério do Planeamento e Infraestruturas, em Lisboa.

O líder do consórcio Gateway resumia assim a mudança de opinião em relação à titularidade do capital, que esteve a ser negociado com o Governo de António Costa, desde que este tomou posse.

"Chegámos a um acordo de 50%-50% de participação social, pelo que a empresa será privada e a gestão privada da companhia prossegue, garantindo o seu desenvolvimento e crescimento", declarou.

Na sua intervenção, a primeira da cerimónia, onde esteve presente o primeiro-ministro, António Costa, o ministro das Finanças, Mário Centeno, e o ministro das Infraestruturas, Pedro Marques, Humberto Pedrosa admitiu estar "confortável com o acordo firmado", referindo que permite uma reestruturação financeira da TAP adequada e a implementação do plano estratégico do consórcio.

"De braço dado com o Governo, estou certo que há uma garantia de estabilidade para TAP e para os seus trabalhadores. O que importa é que está assegurada a gestão privada e o nosso plano estratégico e que este acordo irá contribuir para o fortalecimento da TAP", acrescentou.

O Governo de António Costa vai pagar 1,9 milhões de euros para o Estado ficar com 50% da TAP (em vez de 34%), resultado das negociações com o consórcio Gateway, que tinha 61% do capital da companhia e que agora fica com 45%, podendo chegar aos 50%, com a aquisição do capital à disposição dos trabalhadores.

O Estado compromete-se a não deter uma participação superior a 50% na TAP, que ficará na posse da Parpública, passando a nomear o presidente do conselho de administração da empresa, composto por 12 elementos - seis escolhidos pelo Estado e seis pelo consórcio privado.

Já a comissão executiva mantém-se com três membros, nomeados pelos acionistas privados, sendo liderada por Fernando Pinto.