O Comissário Europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, o português Carlos Moedas, quer facilitar o acesso aos fundos comunitários para estas áreas a empresas que nunca tenham sido recipientes deste tipo de verbas.

"Um dos problemas que eu tenho observado, e que gostava de tentar mudar, é que muitas vezes, nos programas europeus, aqueles que conseguem ganhar concursos em grande quantidade são os que já concorreram várias vezes e têm grande experiência", disse à agência Lusa, em Madrid, o responsável do executivo comunitário.

Carlos Moedas vai abordar este tema da aposta na inovação num pequeno-almoço de trabalho do Forum Nova Economia, que decorre hoje de manhã em Madrid, e no qual participam 300 pessoas, sobretudo empresários.

"O que eu quero é abrir os programas aos 'novos entrantes', os que nunca concorreram. Esses é que podem, muitas vezes, trazer-nos a inovação. Os últimos dados dizem-nos que, no programa Horizonte 20-20, até agora, 37% são novos que nunca concorreram. Ou seja, 63% (seis em cada dez empresas) são antigos recipientes de ajudas", recordou.


A Comissão Europeia, disse Carlos Moedas, tem o maior programa de inovação em todo o Mundo, o Horizonte 20-20, dotado com 80 mil milhões de euros.

"E temos uma grande parte desse programa, de 3 mil milhões de euros, dedicada às Pequenas e Médias Empresas (PME). A esse programa, que também existe em Portugal, chama-se o Instrumento PME. É um instrumento muito fácil, com pouca burocracia", explicou o comissário.


Uma empresa, disse, "pode preencher dez páginas e enviá-lo aos serviços da Comissão e receber 50 mil euros se a ideia for boa".

"Se for boa e conseguir montar a ideia, pode ir até aos 3 milhões de euros. Ou seja, não é só para os grandes consórcios e universidades, é também para os pequenos. Penso que é isso que vai abrir o mundo do futuro", concluiu.


Por outro lado, disse o responsável, Bruxelas tem de "melhorar a forma como olha para a regulação".

"Temos uma regulação muito pesada, o que faz com que os europeus se cansem dela. Temos de trabalhar em 'Smarter Regulation' ou 'Better Regulation', olhando para a regulação como um instrumento que vai ter de se adaptar ao futuro", adiantou.


Carlos Moedas deu um exemplo caricato: "A tecnologia é feita de um ano para o outro e depois estamos a fazer a regulamentação dessa mesma tecnologia durante cinco anos. A legislação fica desfasada e no final de tudo, na volta até esse produto já nem existe".

A "nova" mensagem da Comissão Europeia no que toca à inovação está colocada na forma de questão: "Como é que vamos inovar e fazer ciência no Mundo Digital?".

"Acredito que só poderemos fazer, se tivermos o que chamo de 'Ciência Aberta', no fundo a abertura total do jogo, sem medo da concorrência, abrir os nossos dados e dar acesso às nossas publicações", declarou Moedas.


Essa abertura dos dados e das publicações, explicou, "é que vai fazer com que tenhamos massa crítica para vencer num mundo que é, ao mesmo tempo, colaborativo e competitivo. Não conseguimos competir se não colaborarmos. É esse jogo da colaboração e da cooperação que eu gostava de deixar na mensagem aqui em Espanha".