O conselho do Fundo Monetário Internacional foi informado pelos técnicos que os elevados níveis de endividamento de Atenas e os maus antecedentes na implementação de reformas desqualificam a Grécia para um terceiro resgate. Levantam-se assim novas questões se o FMI se vai juntar às instituições europeias no último pacote de ajudas destinado ao país.
 
A determinação, apresentada pelos técnicos do FMI ao conselho, esta quarta-feira, numa reunião de duas horas do FMI significa que, apesar de elementos da instituição participarem nas negociações que decorrem atualmente em Atenas, o Fundo Monetário Internacional não deve decidir participar num novo programa, pelo menos não até ao próximo ano.
 
Tal atraso pode ter fortes repercussões, sobretudo na Alemanha, sendo que é quase impossível obter a aprovação do Bundestag para um novo pacote de ajuda à Grécia sem o FMI.
 
De acordo com um documento resultante da reunião desta quarta-feira e citado pelo Financial Times, os negociadores do Fundo Monetário Internacional vão “participar em discussões políticas”, para garantir que o novo empréstimo das instituições europeias “é consistente com o Fundo tem em mente”. Contudo, o FMI só deve decidir se participa num novo pacote de ajuda à Grécia, depois de Atenas “concordar com um pacote abrangente de reformas” e, sobretudo, depois de os credores europeus “concordarem com um alívio da dívida grega”.

Esta última condição pode ser um forte entrave, até porque credores como a Alemanha têm sido bastante resistentes a um perdão da dívida grega.