Os bancos portugueses propuseram hoje financiar em 635 milhões de euros o Fundo de Resolução para capitalizar o Novo Banco, o que permitirá reduzir o montante proveniente do dinheiro da troika para 3,9 mil milhões de euros.

Segundo disse à Lusa fonte do setor financeiro, «os bancos admitem proceder a um financiamento no montante de 635 milhões de euros ao Fundo de Resolução» e já fizeram essa proposta aquela entidade, que é gerida pelo Banco de Portugal.

Isto, afirmou a mesma fonte, permitirá reduzir o «empréstimo sem risco de 4,4 mil milhões de euros do Estado, proveniente do fundo de recapitalização, para 3,9 mil milhões de euros».

Com esta proposta, os bancos esperam que o Novo Banco tenha condições para ser alienado mais rapidamente e que «o Fundo de Resolução possa recuperar ao máximo do capital que entrou agora no novo banco», disse a mesma fonte.

O Banco de Portugal tomou controlo do BES domingo passado e anunciou a separação da instituição num banco mau ('bad bank'), que concentra os ativos e passivos tóxicos, e num 'banco bom', o chamado Novo Banco, que reúne os ativos e passivos não problemáticos, como será o caso dos depósitos, e que receberá uma capitalização de 4,9 mil milhões de euros do Fundo de Resolução bancário.

O Fundo de Resolução foi criado em 2012 para intervir financeiramente em bancos em dificuldades, aplicando as medidas determinadas pelo Banco de Portugal. O fundo é financiado pelas contribuições regulares dos mais de 80 bancos com atividade em Portugal e por contribuições extraordinárias em caso de crise num banco em particular.

No entanto, como este fundo é recente, ainda não está suficientemente dotado.

Assim, dos 4,9 mil milhões de euros com que o fundo vai capitalizar o Novo Banco, a parcela mais significativa terá de vir do dinheiro da troika para o setor financeiro, através de um empréstimo com um juro que começa em 2,95%.

Inicialmente, estava previsto que do dinheiro da troika fossem colocados 4,4 mil milhões de euros no fundo de resolução, que se juntariam aos 367 milhões de euros que o fundo já tem, a que seria acrescentada uma contribuição extraordinária dos bancos do sistema de 133 milhões de euros.

Se a proposta dos bancos for agora aceite pelo Banco de Portugal e pelo Governo, os bancos financiam o fundo de resolução com 635 milhões de euros, que se juntam aos 367 milhões de euros que já existem no fundo, perfazendo cerca de mil milhões de euros. Assim, o dinheiro do Estado que vai para o fundo reduz-se para 3,9 mil milhões de euros.