O empresário Ilídio Pinho e outras quatro pessoas que integram os órgãos sociais da sua fundação tinham poder de assinatura para movimentar dinheiro na IPC Management Inc, uma das empresas offshore que a fuga de informação da sociedade panamiana Mossack Fonseca deixou a descoberto.

 A IPC Management Inc era uma empresa das Ilhas Virgens Britânicas à qual Ilídio Pinho surge associado, nos Papéis do Panamá, desde pelo menos 2005. O Expresso e a TVI, parceiros do ICIJ - Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (que está a trabalhar os dados da Mossack Fonseca que foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung), questionaram Ilídio Pinho, que negou estar ou ter estado ligado a empresas offshore.

Na passada segunda-feira, o Expresso e a TVI noticiaram que os documentos do Panamá faziam uma ligação entre a IPC Management Inc e a própria Fundação Ilídio Pinho (FIP). Numa declaração distribuída à imprensa na terça-feira a FIP diz que “nunca realizou quaisquer operações com entidades offshore nem tão pouco alguma vez dispôs de contas bancárias fora da União Europeia e dos Estados Unidos”.

O que na véspera tinha sido veiculado, todavia, era que uma offshore controlada por vários membros do Conselho da Fundação, entre os quais Ilídio Pinho, tinha uma conta bancária no UBS Luxemburgo (que não fica fora da União Europeia). 

A fundação disse também que quaisquer documentos que a relacionem com offshores são falsos. Mas o Expresso e a TVI publicaram uma fatura da empresa Safehost que objetivamente relaciona a FIP e a IPC Management Inc, uma relação que existe na documentação dos Papéis do Panamá.

Na sua declaração à imprensa, a fundação de Ilídio Pinho assegurou que iria solicitar à Safehost que esclarecesse publicamente se “alguma vez prestou qualquer serviço ou se teve contactos de qualquer tipo com a Fundação, direta ou indiretamente”, tendo em conta as notícias do Expresso e da TVI.

Ora, até hoje não houve qualquer desmentido público de que entre a Safehost e a fundação houve um fornecimento de serviços, faturado à IPC Management Inc.

A declaração da Fundação Ilídio Pinho negando associações a sociedades offshore surge assinada por João Costa Carvalho, que era uma das pessoas autorizadas a movimentar as contas da IPC Management Inc. Essa declaração não nega, contudo, que Ilídio Pinho tenha estado envolvido em offshores. Com que objetivo o fez? O empresário não veio ainda a público esclarecê-lo. Mas segundo foi possível apurar, há alguns anos que o veículo IPC Management Inc deixou de estar ativo. 

Quanto à Fundação Ilídio Pinho, criada no ano 2000, diz orgulhar-se do “serviço de utilidade pública desenvolvido exclusivamente em inúmeras atividades em prol das arte, do ensino e da formação científica em Portugal”. O seu último relatório e contas publicado mostra que, em 2014, a instituição teve um prejuízo de 3,5 milhões de euros. O valor dos seus ativos financeiros encolheu de 15,7 milhões de euros, em 2013, para 5,7 milhões de euros, em 2014, o que influenciou a deterioração dos resultados da entidade nesse ano.

Ilídio Pinho fundou a empresa Colep em 1964 e tornou-se, nas décadas seguintes, um dos maiores industriais portugueses. Entre 2000 e 2005, foi administrador não executivo do Banco Espírito Santo (BES). A sua empresa, IP Holding, é a maior acionista da Fomentinvest (da qual Pedro Passos Coelho foi administrador).

O empresário tem ainda investimentos em ações da EDP, integrando o Conselho Geral e de Supervisão da elétrica portuguesa.