O Sindicato de Trabalhadores da Administração Local (STAL) classificou esta sexta-feira de «esmagadora» a adesão à greve, frisando que em muitos serviços como a recolha do lixo, transporte municipal, oficinas e escolas está a ser de 100%.

«Durante a noite os números foram entusiasmantes. Houve locais de trabalho que subiram em relação à greve geral, [um fenómeno] que era impensável. Os dados da manhã também aprofundavam esse sinal. Tudo se inclinava para ser uma grande greve no setor da administração local», disse o presidente do STAL, Francisco Brás, à agência Lusa.

Para exemplificar, o vice-presidente, José Correia, disse que os transportes urbanos municipais em Coimbra, Aveiro, Barreiro e Braga registaram níveis de adesão «muito perto dos 100%».

«Um pouco por todo o país as autarquias estão paralisadas. As exceções são sobretudo a norte. Há várias autarquias que têm serviços encerrados. A greve regista adesões mais elevadas em serviços operacionais, oficinas. Em relação aos edifícios, temos dezenas que não abriram as portas ou têm serviços encerradas por insuficiência de trabalhadores», indicou o sindicalista.

«A greve provocou incómodos também nas escolas, sobretudo no transporte escolar que não funcionou, os refeitórios que também não funcionaram e há escolas encerradas», acrescentou sem dar dados.

Quanto à recolha do lixo, José Correia indicou que na Grande Lisboa «não houve recolha de lixo em nenhum destes concelhos»: Amadora, Loures, Almada, Barreiro, Seixal e Palmela.

O aumento do horário do trabalho para as 40 horas semanais, os cortes salariais, a alteração das regras de aposentação, o corte nas pensões e o «ataque» ao emprego na administração local são, para José Correia os motivos que justificam «esta adesão esmagadora».

«Na administração local saíram 23 mil trabalhadores no último ano e meio, dá uma ideia da dimensão da ofensiva do Governo», frisou.

O agravamento dos cortes salariais para os funcionários públicos levou os sindicatos da UGT e da CGTP a convocarem esta greve.

A proposta de lei do Orçamento do Estado (OE2014) entregue a 15 de outubro no parlamento prevê que seja aplicada uma redução remuneratória progressiva entre 2,5% e 12%, com caráter transitório, às remunerações mensais superiores a 600 euros de todos os trabalhadores das administrações públicas.

O subsídio de Natal dos funcionários públicos e dos aposentados, reformados e pensionistas vai ser pago em duodécimos no próximo ano, segundo a proposta de OE2014, que mantém a aplicação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) sobre as pensões.