O Banco Espírito Santo perdeu cerca de 6,8 mil milhões de euros, desde o início de julho até ao dia 28 desse mês, segundo a estimativa do ex-administrador financeiro, Amílcar Morais Pires, expressa na comissão de inquérito ao BES e ao Grupo Espírito Santo. 

«Parte significativa da perda de depósitos, curiosamente é depois do dia 11 de julho. A indicação que tenho é que o banco perdeu cerca - não são contas rigorosas- de 6,8 mil milhões de depósitos até 28 de julho, dos quais 5,8 mil milhões entre 10 e 28 de julho»


Morais Pires respondia à deputada do CDS-PP, Cecília Meireles, que quis saber se ele podia quantificar em perda de depósitos para o banco os 23 dias que passaram desde o anúncio formal de modificação de liderança no banco até à tomada de posse de Vítor Bento, que ficou com o lugar que, inicialmente, seria seu, por indicação de Ricardo Salgado. Sugestão essa que o Banco de Portugal rejeitou.

Ou seja, «o banco tinha perdido só cerca de 1 bilião até ao dia 11 e do dia 11 em diante, cerca de 5 mil milhões. É a minha estimativa», frisou o ex-CFO do BES.

Recorde-se que os resultados com os prejuízos de 3,6 mil milhões foram anunciados dois dias depois, a 30 de julho, e a brutal queda nas ações do banco, que ficaram a valer menos de metade, deram-se entre 31 de julho e 1 de agosto. A divisão em banco bom, o Novo Banco, e banco mau, para onde foram atirados os ativos tóxicos do BES, ocorreu no dia 3 de agosto. E nada foi como antes.