Portugal está na moda e agora até é o país de quem se fala no Financial Times, para variar, por boas razões.

"Lixo, não mais" assim começa o artigo do mais bem conceituado jornal económico do mundo. Tudo porque, na semana passada, a Standard & Poor’s (S&P) foi a primeira, das três grandes agências mundiais de rating, a tirar a dívida portuguesa de a categoria de "lixo". 

Agência Longo prazo notação Outlook
DBRS BBB (low) Estável
Fitch Ratings BB+ Positiva
Moody’s Ba1 Positiva
Standard & Poor’s BBB- Estável

Uma decisão que desde ontem empurra os juros da dívida portuguesa a 10 anos para baixo dos 2,5%, o valor mínimo desde o último trimestre de 2015.

O FT recorda a decisão da S&P e lembra o facto e o país estar nesta categoria de "lixo" há cinco anos, o que revela uma "recuperação impressionante" após um programa de resgate de três anos no valor de 78 mil milhões de euros.

Com a economia a passar pelo melhor momento de crescimento em uma década, o governo de liderança socialista, está focado na aprovação de reformas destinadas a reduzir o défice orçamental e diminuir a dívida de 130% do PIB [Produto Interno Bruto]", diz o FT.

As projeções de crescimento também têm vindo a aumentar, "o que torna Portugal um caso raro na zona do euro: um governo liderado por socialistas que realiza uma consolidação orçamental e com crescente popularidade."

Face aos factos e às perspetivas, o diário questiona se Portugal poderá oferecer lições à Europa?, "aos partidos do centro-esquerda e socialistas que ficaram intimamente ligados às políticas de austeridade nos últimos anos." 

"Sim e não", responde o FT.

O jornal diz que há fatores externos, que não dependem das políticas governativas, que também ajudaram à recuperação. 

"Talvez o fator mais importante por detrás da inversão da "sorte" em Portugal seja as melhores perspetivas para a zona do euro e para a economia global este ano". Acresce o melhor desempenho das exportações e a subida do investimento, que ajudaram a acelerar o crescimento.  

E continua o FT a dizer que, além disso, o governo de António Costa também está a "colher os frutos das reformas dolorosas no mercado de trabalho feitas do governo de centro-direita [de Passos Coelho]."

Sobre o desempenho do Executivo em funções, diz a publicação que "o Governo do Sr. Costa" implementou medidas para resolver o problema do sistema bancário e manteve a linha de consolidação orçamental "apesar de uma série de aumentos do salário mínimo," salvaguarda.

Palavra ainda para o controlo do défice, que permitiu ao país sair do Procedimento dos Défices Excessivos, e lhe valeu aplausos de Bruxelas

Medidas à parte, o FT "não deixa de frisar que, ao contrário de muitos de seus homólogos europeus, os socialistas portugueses também têm a sorte de não terem sido obrigados a alinhar pelas políticas impopulares do governo da era de crise, enquanto os astros da economia global se alinharam, exatamente, quando o PS se instalou no poder."

E em jeito de graça o artigo conclui que, tal é a "confiança dos portugueses que se espera que lhes seja feita uma proposta para que o ministro das Finanças [Mário Centeno]se torne presidente do eurogrupo até o final do ano."

A principal ideia a reter "pelos partidos socialistas invejosos da Europa que olham para Lisboa, de Paris para Berlim? Tempo é tudo."