O presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário considerou esta quinta-feira que o pedido de ajuda de Angola ao FMI demonstra uma “situação limite”, mas também a vontade do país de “resolver os constrangimentos” que enfrenta.

“Este pedido de ajuda ao FMI [Fundo Monetário Internacional] revela, por um lado, que estamos perante uma situação limite, mas, por outro, demonstra a vontade de Angola em resolver os constrangimentos que está a enfrentar, recorrendo, por isso, a um mecanismo que está à disposição dos países para fazer face a estas questões”, afirmou o presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), Manuel Reis Campos, à agência Lusa.

O presidente da CPCI considerou que o impacto imediato do pedido “deverá, a par da resolução dos constrangimentos financeiros de curto prazo, cumprindo os compromisso que já estão assumidos com as empresas portuguesas, permitir o desenvolvimento sustentado da economia angolana”.

Reis Campos salientou que a confederação tem acompanhado “atentamente” a situação de Angola, país no qual muitas empresas portuguesas do setor da construção têm atividade, “dados os efeitos que tem provocado junto das empresas e dos seus trabalhadores”.

Por isso, acrescentou: “manifestámos, por várias vezes, a nossa preocupação face às dificuldades que nos têm vindo a ser reportadas, para as quais temos solicitado a maior atenção, tanto por parte do Governo português, como das instâncias angolanas, para as suas consequências”.

No entanto, o presidente da CPCI afirmou que Angola “continua a ser perspetivada como um mercado prioritário e encarado numa ótica de médio e longo prazo”.

Reis Campos recordou que a confederação já alertou o Governo para o “perigo real” que considera que a “retração” do setor da construção constitui e afirmou que “estas notícias sobre Angola apenas vêm reforçar a necessidade de olhar para o tecido empresarial [português] com particular atenção”.

O mesmo responsável reiterou que é “fundamental agir com rapidez e determinação”, pois o mercado de obras públicas em Portugal está a “atingir mínimos históricos”, há uma “evolução externa desfavorável” em mercados importantes para o setor da construção, como Angola e o Brasil, e há algumas obras prestes a terminar.

Neste quadro, a CPCI volta a reivindicar a promoção do investimento público, através da continuidade do Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas e da maximização da utilização dos fundos comunitários disponíveis, da captação de mais investimento nacional e estrangeiro e da aposta na reabilitação urbana.

O FMI anunciou hoje que Angola solicitou um programa de assistência para os próximos três anos, cujos termos serão debatidos nas reuniões de Primavera, em Washington, e numa visita ao país.

O Ministério das Finanças de Angola justificou o pedido com a necessidade de aplicar políticas macroeconómicas e reformas estruturais que diversifiquem a economia e respondam às necessidades financeiras do país.

Na sequência deste pedido, a Lusa também contactou empresas portuguesas com atividade em Angola, designadamente a Mota-Engil, a Soares da Costa, a Galp, a Unicer e a Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, que não quiseram fazer comentários sobre o tema.