O FMI insiste que, se nada for feito, o défice orçamental português manter-se-á próximo dos 3% nos próximos cinco anos. Uma perspetiva que em nada vai ao encontro da estimativa do Governo que antecipa alcançar já este ano um défice “confortavelmente abaixo dos 2,5%”. O Presidente da República também acredita (sem advérbios de modo) que vai ficar nesse patamar.  

As previsões do relatório Fiscal Monitor são feitas com base na política seguida atualmente em Portugal, tendo como cenário que ela não se alteraria nos próximos anos.

Nessa perspetiva, o Fundo Monetário Internacional mantém a previsão de um défice de 3% este ano e no próximo, valor que depois fica em 2,9% até 2021. Ou seja, ainda durante mais quatro anos.

A despesa, essa, rondará sempre os 46% do PIB e a receita os 43%. Havendo mais gastos do que dinheiro a entrar para os cofres do Estado há, inevitavelmente, défice.  Internamente, também a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) duvida que as metas de receita com impostos sejam alcançadas. 

No caso da dívida pública, aí sim, estimativas mais positivas: o FMI aponta para uma descida ligeira em 2017, para 128,2% do PIB e uma redução gradual até aos 125,9% em 2021.

Quanto ao crescimento, a instituição liderada por Christine Lagarde já ontem tinha divulgado o World Economic Outlook October 2016, antecipando que o Produto Interno Bruto vai crescer apenas à volta de 1% em cada ano até 2021. Na prática, antevê que a criação de riqueza na economia vai ficar estagnada durante os próximos anos.