Os depósitos de particulares aumentaram 1,6 mil milhões de euros em 2013 e voltaram a financiar a banca, o que não acontecia há dez anos, de acordo com o boletim estatístico do Banco de Portugal.

Com o crescimento dos depósitos, que correspondeu a uma variação homóloga de 1,4%, os particulares voltaram «a ser um setor financiador do setor monetário, o que não acontecia desde 2003, representando 3 por cento dos fundos obtidos pelos bancos».

Os depósitos de particulares, empresas e administrações públicas atingiram no final do ano 225,6 mil milhões de euros, mais 2,6 mil milhões do que em 2012.

Os particulares deram preferência aos depósitos com prazos superiores a dois anos, que aumentaram 3,1 mil milhões de euros e representavam, no fim de 2013, quase um terço do total dos depósitos. Já os depósitos com prazos inferiores diminuíram 1,5 mil milhões de euros.

No caso das empresas, os depósitos tiveram um acréscimo de 2,5 mil milhões de euros.

Os depósitos das administrações públicas aumentaram 1,6 mil milhões de euros face a 2012.

Este aumento refletiu «o acréscimo de 2,4 mil milhões de euros dos depósitos deste setor junto do Banco de Portugal, correspondendo a fundos recebidos e não utilizados» até 31 de dezembro, no âmbito do programa da troika.

A exceção foram as instituições financeiras não monetárias, como por exemplo, sociedades de investimento e locação financeira, cujos depósitos apresentaram um decréscimo de 3,1 mil milhões de euros face a 2012.

O Banco de Portugal sublinha ainda que o peso do setor externo no financiamento da banca nacional voltou a diminuir em 2013, representando 37,2% do financiamento no final do ano.

«Em contrapartida, o setor monetário recorreu mais a fundos próprios e, tal como em 2012, o peso do capital e reservas no financiamento do setor aumentou», aproximando-se dos 50%.