O ministro das Finanças irlandês considera que Portugal não tem vantagem para já em pagar antecipadamente o empréstimo do FMI, como a Irlanda quer fazer, mas será uma boa estratégia no futuro se os juros da dívida continuarem a descer.

Zona euro debate pagamento antecipado irlandês ao FMI

Michael Noonan disse aos jornalistas, à entrada para a reunião informal do Eurogrupo, em Milão, que falou com a ministra da Finanças portuguesa sobre a intenção de Dublin de reembolsar antecipadamente cerca de 18 mil milhões de euros dos 22,5 mil milhões emprestados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), no âmbito do programa de assistência internacional no valor global de 85 mil milhões de euros.

«Falei com Maria Luís Albuquerque e Portugal certamente apoia-nos. Acho que não é oportuno para Portugal fazer o mesmo por agora, mas poderá ter vantagem no futuro», afirmou o responsável da Irlanda pela pasta das Finanças.

Noonan explicou que a Irlanda tem vantagem em pagar antecipadamente esse empréstimo, poupando em juros, devido ao diferencial entre os juros atualmente cobrados pelo mercado à Irlanda pela dívida soberana a 10 anos e as taxas de juro do FMI.

Além disso, afirmou, o FMI aplicou juros mais altos à Irlanda do que viria a fazer alguns meses depois a Portugal.

Assim, considerou o ministro das Finanças irlandês, Portugal não tem razões para seguir o mesmo caminho da Irlanda para já, mas se os juros da dívida pública portuguesa descerem «rapidamente» nos mercados, «algures no futuro» Portugal poderá ter «uma grande vantagem».

Entre outros temas, a reunião desta sexta-feira do

Eurogrupo irá discutir o pagamento antecipado pela Irlanda do empréstimo do FMI, apesar de ainda não ser nesta reunião que será dada formalmente luz verde à pretensão irlandesa.

Com esta estratégia, a Irlanda pensa poupar anualmente quase 400 milhões de euros em juros.

A antecipação do pagamento do empréstimo do FMI necessita da autorização da Europa, já que nos contratos dos resgates ficou estabelecido que, se os empréstimos do FMI fossem reembolsados antes do prazo, os credores europeus teriam o direito de exigir o mesmo.

A reunião do Eurogrupo irá discutir se os parceiros europeus poderão vir a abdicar desse direito no caso irlandês e aceitar que o FMI seja reembolsado primeiro, o que abriria um precedente para outros países.

Tanto o primeiro-ministro português, Passos Coelho, como a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, já disseram que apoiam a iniciativa da Irlanda, mas o Executivo ainda não tomou qualquer decisão formal para já.

«Também não significa que quiséssemos reembolsar logo os 25 mil milhões, poderíamos começar pelas primeiras tranches que eram mais caras em função do nosso acesso ao mercado. É uma opção que tem valor e estaremos claramente do lado dos irlandeses a apoiar essa iniciativa na Europa», afirmou Maria Luís Albuquerque no passado fim-de-semana, na Universidade de Verão do PSD.

Para Portugal reembolsar antecipadamente a parcela do FMI no empréstimo da troika (cujo valor total foi de 78 mil milhões de euros), o Tesouro português deveria ir financiar-se ao mercado.