A ministra de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, reconheceu esta sexta-feira que «a credibilidade da auditoria independente foi abalada em Portugal por acontecimentos recentes», sem, no entanto, especificar nenhum caso em particular.

«A credibilidade da auditoria independente foi abalada em Portugal por acontecimentos recentes e importa agora trabalhar para a recuperar», afirmou Maria Luís Albuquerque na cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos sociais da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, em Lisboa.

Para a ministra, «a necessidade de contar com profissionais altamente qualificados, independentes e cuja conduta é pautada por normas e códigos de ética rigorosos é indispensável à transparência do comportamento financeiro das empresas de maior dimensão, quer tenham ou não os capitais abertos à participação de vários investidores como é o caso das sociedades cotadas em bolsa».

Sem nunca se referir a nenhum caso em particular, Maria Luís Albuquerque alertou que, «mesmo sabendo todos que os poucos casos não podem ser lidos como representando o padrão, quando se fala de perceção de mercado a realidade é tanto ou mais o que parece do que é».

Estas declarações da ministra das Finanças surgem numa altura em que decorre na Assembleia da República uma comissão de inquérito ao Banco Espírito Santo e ao Grupo Espírito Santo para «apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos, e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES».

Também no caso da PT foi divulgado um relatório de auditoria da PricewaterhouseCoopers sobre os empréstimos de tesouraria efetuados pela PT SGPS a empresas do GES, nomeadamente o investimento na Rioforte, num documento que implica o ex-líder do BES, que os auditores tentaram, sem sucesso, contactar e aponta contradições nas declarações prestadas por ex-dirigentes da PT.

A governante reiterou ainda que «é responsabilidade de Portugal trabalhar para distinguir o que deve ser distinguido e reconquistar a confiança abalada», sublinhando que «o papel dos revisores oficiais de contas - e dos auditores em geral - é incontornável numa economia desenvolvida, sofisticada e que quer ser crescentemente competitiva».