O antigo ministro das Finanças Teixeira dos Santos afirmou hoje que a Concertação Social deve ser «repensada», para que seja mais prospetiva, estabeleça compromissos, estratégias e entendimentos para o médio e longo prazo.

Falando no II Seminário Ibérico de Economistas, em Lisboa, Teixeira dos Santos defendeu que a Concertação Social em Portugal deve ser «repensada», até porque diz: «Não ponho a necessidade de entendimentos políticos à frente de um entendimento ou consenso social».

«Mais do que defender o satus quo, os equilíbrios do poder, os poderes existentes, nós temos de ter uma Concertação Social que seja mais prospetiva e que estabeleça compromissos, estratégias e entendimentos para o médio e longo prazo», afirmou o economista.

No encontro promovido pela Ordem dos Economistas e pela homóloga espanhola, Consejo General de Economistas, Teixeira dos Santos admitiu que «os grandes protagonistas do emprego e do trabalho, ou seja, as forças sociais do empresariado e do trabalho» devem ser «envolvidas num compromisso», pois se isso acontecer, «ao nível político, [o entendimento] acaba por existir», frisou.

«Os partidos, percebendo que é isto que a sociedade quer, alinham as suas estratégias a esse nível», esclareceu.

Para Teixeira dos Santos «estamos numa conjuntura muito especial de mercado, que não vai durar», porque a redução das taxas de juro, que se tem vindo a verificar recentemente e a consequente redução dos prémios de risco que são exigidos pelos credores, deve levar-nos a «não nos iludirmos».

«Eu creio que convém não nos iludirmos [tanto os espanhóis como os portugueses], pois as taxas são historicamente baixas e não parecem ter grande relação com os chamados fundamentais da economia», advertiu.

Para o economista, falar de crescimento não exclui a possibilidade de deixar de falar naquilo a que «nós chamamos de austeridade, isto é, de crescimento num quadro de manutenção de equilíbrios macroeconómicos fundamentais, dentro dos quais a restrição económica orçamental é importante».

Na opinião de Teixeira dos Santos, trata-se de «um processo de reequilíbrio [orçamental] que ainda não foi atingido e, depois disso, temos que o fazer em condições de sustentabilidade».

O crescimento da economia de forma sustentável e que crie empregos é fundamental para o economista.

O antigo ministro das Finanças, no entanto, adverte para o «risco sério» de Portugal passar por um processo de estagnação económica prolongado.

«A recessão acabou, mas não acabou a crise», realçou.

Teixeira dos Santos referiu ainda que «estamos mais pobres», justificando que a queda do Produto Interno Bruto (PIB) português, desde 2007 até ao presente, foi, em termos absolutos e a preços contantes, de 10 mil milhões de euros.

«O país retrocedeu uma década», salientou.