Como duas palavrinhas apenas podem sair caro, muito caro? Nas Filipinas, sabe-se como depois de o presidente do país ter insultado o homólogo dos Estados Unidos, Barack Obama. Logo a bolsa de valores filipina caiu para o valor mais baixo em mais de dois meses, com uma perda de 58 milhões de dólares, cerca de 52 milhões de euros.

Fundos estrangeiros desinvestiram em massa na bolsa, depois de Rodrigo Duterte ter chamado o presidente norte-americano de "Putang ina", ou seja, "filho da p***". Assim, sem papas na língua.

Rodrigo Duterte - Presidente das Filipinas (Reuters)

Um insulto com efeito dominó: Obama não gostou, o encontro que estava previsto terem no âmbito da cimeira dos países do sudeste asiático não se realizou e rapidamente os mercados deram sinal de alarme. 

Para além da retirada de investimento, as vendas também totalizaram 298 milhões de euros em 11 dias, sinal de que os investidores se querem desfazer daquelas ações, vendo o mercado mais caro da Ásia como menos atrativo. Isto apesar de, até aqui, o facto de ter das mais altas taxas de crescimento económico na Ásia ter sido fator de vantagem. 

É que, segundo os analistas, os investidores acabam por retirar das declarações do presidente filipino a possibilidade de este ter comportamentos imprevisíveis na gestão política que podem perturbar e economia e os negócios. 

A queda em percentagem do índice foi superior a 2%, a maior derrapagem desde o final de junho.

(Fonte: Reuters)

No poder desde o último dia de junho, Duterte tem marcado os seus dois meses de presidência por diversos mimos dirigidos a vários líderes mundiais, casos do Papa Francisco e do ainda secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. Agora, foi a vez de Obama e tudo por causa da chacina em curso nas Filipinas, a coberto da luta contra a droga.

Mais de duas mil pessoas, incluindo traficantes e consumidores de drogas, morreram nos últimos dois meses no país asiático. Ao que se sabe, vítimas da polícia e de obscuros esquadrões da morte. E sem julgamento prévioNada que pareça preocupar Rodrigo Duterte.