O presidente executivo do BPI diz estar tranquilo quanto aos pressupostos do Orçamento do Estado para 2016, sublinhando que o problema é saber se o país vai ser governado ao centro ou pelo PCP e Bloco de Esquerda.

Falando a propósito do Orçamento do Estado (OE) para 2016 numa conferência promovida pela sociedade de advogados Vieira de Almeida & Associados, Fernando Ulrich destacou que esta é “uma fase de transição cada vez mais aceite e pacífica”, mas admitiu dificuldades a médio prazo.

“Os objetivos fundamentais [do OE para 2016] estão corretos. Vamos ver como são executados. Já estou mais preocupado com o Orçamento do Estado para 2017”, frisou o responsável do BPI, considerando que “há uma dúvida de fundo sobre o que vai ser o futuro” que tem a ver com o cenário político e que coloca “um ponto de interrogação sobre a trajetória de médio prazo”.

“O problema que temos para a frente é se vamos ser governados pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda, através do Partido Socialista, ou se vamos governar ao centro”, afirmou, salientando que só esta última opção poderá dar ao desemprego “a prioridade que merece” e abrir portas à criação de riqueza.

O presidente executivo do BPI criticou “a tolerância excessiva ou permissividade da sociedade portuguesa” face ao desemprego, considerando que enquanto se mantiver a “resignação” face a uma taxa de desemprego que ronda os 12%, não haverá também preocupação com a criação de riqueza.

O diretor-geral da Microsoft em Portugal, João Couto, corroborou Ulrich, afirmando que “não há criação de emprego sem criação de riqueza” e assinalou que Portugal “tem condições fantásticas para crescer” na área das Tecnologias de Informação (TI) onde existem 5 mil vagas de emprego por preencher, apontando aspetos positivos no OE como a aposta na modernização da administração pública e na criação de ‘start-ups’.

O presidente executivo da Semapa, João Castello Branco, questionou algumas opções do OE para 2016 por penalizarem a competitividade das empresas, nomeadamente o aumento do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), além da imprevisibilidade das medidas “que prejudica o investimento”.