O presidente do Banco BPI criticou hoje a forma como o Grupo Espírito Santo (GES) geriu a divulgação de informação sobre os problemas que atravessa, considerando que «o desastre» ao nível da comunicação criou uma «tempestade perfeita».

Segundo Fernando Ulrich, que participou no Encontro Anual do IESE Alumni, que decorreu hoje no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, desde que as dificuldades financeiras que algumas holdings do GES atravessam passaram a ser públicas através da imprensa, há cerca de dois meses, «a comunicação foi desastrosa».

E reforçou: «A gestão desta crise, desde que o Expresso e o Jornal de Negócios, penso que foram os dois meios mais ativos, começaram a publicar informação, é um case study [caso de estudo] do ponto de vista do desastre comunicacional».

«Se queriam construir a tempestade perfeita, não conseguiam fazer melhor», afirmou Ulrich, realçando que «o que se está a passar não é na banca, é no Grupo Espírito Santo» e que o assunto «não dá vontade de rir, é muito sério».

O gestor afirmou que espera que «todas as dúvidas que se têm levantado (além das questões de semântica) sejam esclarecidas rapidamente».

Ulrich repetiu várias vezes que não se pronunciava sobre os problemas do grupo em si, mas sim da forma como foi gerida a comunicação institucional.

«A partir do momento em que se sabe que há problemas e são reconhecidos pelo próprio grupo, deixou de haver interesse em esconder. Então, é obrigatório que a comunicação a partir desse momento seja completa e não divulgada aos poucos», comentou.

E voltou a ilustrar que «isto deve ser um manual da tempestade perfeita».

Ulrich já tinha destacado que os problemas vividos pelo GES são «um abscesso» no percurso que Portugal está a fazer para reconquistar a credibilidade internacional e voltar ao crescimento económico e atirou com um exemplo da dimensão que a matéria está a ganhar a nível externo.

«Vinha de carro para a conferência, segui uma ligação de uma notícia da Bloomberg, e vi em direto uma jornalista asiática, de uma estação televisiva norte-americana, a fazer a abertura da bolsa dos EUA com os problemas no BES», revelou, insistindo que «isto é um desastre».

Segundo o banqueiro, esta «é a publicidade que o país não precisa».

Daí, ter insistido que «o desastre ao nível da comunicação fez aumentar o problema».

Questionado pelo jornalista Camilo Lourenço, que moderava o debate, sobre o papel do supervisor bancário (Banco de Portugal) neste caso, Ulrich evitou a questão.

«Não vou fazer nenhum comentário. Fica para a história económica e financeira. As instituições estão a fazer o seu papel. É preciso é resolver o problema», assinalou, sublinhando que esta «é uma situação de um banco e de um acionista» e não do sistema financeiro português.

Ulrich foi um dos oradores que participou no Encontro Anual do IESE Alumni, que decorreu hoje no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e cuja sessão de encerramento contou com uma intervenção do ministro da Economia, Pires de Lima.

À entrada e à saída, o governante escusou-se a prestar declarações aos jornalistas sobre a situação do GES e o seu discurso foi feito à porta fechada.