O presidente executivo do Banco BPI, Fernando Ulrich, revelou esta sexta-feira que, caso a OPA do CaixaBank seja bem-sucedida e o banco catalão assim o entenda, está disponível para avançar para mais um mandato à frente da instituição.

Primeiro, Ulrich destacou que o seu mandato só termina em 2017, já que apenas em abril desse ano se vai realizar a reunião magna de acionistas para nomeação da nova equipa de gestão.

"Até ao fim do mandato, se Deus me der saúde, estou cá totalmente empenhado", garantiu, em conferência de imprensa, em Lisboa.

"A partir de abril de 2017, o cenário central é que os estatutos do BPI vão ser desblindados e o CaixaBank vai passar a ter a maioria do capital do BPI. Nessa situação, mesmo com a oposição de um acionista [a angolana Santoro], a regra do limite de idade será alterada e, a julgar pelas declarações dos mais altos responsáveis, acho que tenho boas hipóteses de fazer mais um mandato no BPI", assinalou.

E realçou: "Se isso acontecer, podem contar com o meu empenho e entusiasmo".

Recorde-se que na quinta-feira Isabel dos Santos travou a recondução de Ulrich na liderança do banco.

O Banco BPI teve lucros de 45,8 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, mais 48,3% do que no mesmo período do ano passado.

 

Ulrich confiante que conflito entre acionistas "só pode acabar bem"

O presidente executivo do BPI acrescentou que "só pode acabar bem" o diferendo entre os principais acionistas do banco, os espanhóis do CaixaBank e a angolana Santoro, lamentando que ainda não haja acordo.

"Isto só pode acabar bem, como e quando não sei", afirmou.

O presidente do BPI garantiu ainda que, até ao momento, o processo que está a decorrer no banco "não teve qualquer custo, nem para o BPI nem para o BFA [Banco de Fomento Angola]".

A operação do BPI em Angola é de momento a mais lucrativa do banco, sendo que no primeiro trimestre contribuiu com 37 milhões de euros, ou seja, 77% do total dos lucros.

No entanto, essa operação tem estado no centro de um 'imbróglio' entre os principais acionistas do banco, o banco espanhol CaixaBank e a empresa angolana Santoro, da empresária Isabel dos Santos, desencadeada pela necessidade de ser reduzida a exposição naquele país para cumprir as novas regras do Banco Central Europeu (BCE).

O espanhol CaixaBank tem 44,10% do capital social do BPI, mas só pode exercer 20% dos votos devido à blindagem dos estatutos, o que lhe dá um poder semelhante ao da empresa angolana Santoro, que tem 18,58% do capital.

Espanhóis e angolanos deviam ter chegado a um entendimento até 10 de abril, prazo dado pelo BCE, e nessa data foi dado sinal de que havia acordo. No entanto, esse viria a ser quebrado, com troca de acusações mútuas entre CaixaBank e Santoro.

Na sequência disso, o espanhol CaixaBank anunciou a intenção de lançar uma Oferta Pública de Aquisição de ações (OPA) voluntária sobre o BPI, oferecendo 1,113 euros por cada ação do banco que não controla (55,9%).

Já a 20 de abril foi publicado em Diário da República o diploma que abre caminho à desblindagem dos estatutos no BPI, naquilo que foi entendido por Isabel dos Santos como uma forma de o Governo português "favorecer uma das partes", tendo mesmo chamado à legislação o "diploma BPI".

A questão da negociação continua, contudo, uma vez que tem de ser resolvida a questão da exposição a Angola.

O que acontece é que o BCE considera Angola como um dos países que não tem uma regulação e supervisão semelhantes às existentes na União Europeia, pelo que o BPI tem de reduzir a sua exposição ao mercado angolano (dívida pública e a exposição ao BFA, onde detém 50,1%) ou contabilizá-la a 100%, que Frankfurt estima em 5.000 milhões de euros.